Chico Amante: ‘Mané é a pinta da mãe’

Memória | Manezinhos da comunicação | Apresentação

“Mané é a pinta da mãe!” Era assim, com um palavrão cabeludo na ponta da língua, que o nosso homem de beira mar respondia às provocações do ilhéu urbano, quando vinha na cidade para uma consulta com o doutor Barreto, bater uma chapa ou fazer uns inzames no Departamento de Saúde Pública, ou ainda comprar riscadinho na Casa Salma e fazer aquela roupa nova para a procissão do Senhor dos Passos.

Entretanto, essa indulgente revolta faz parte de um passado, não muito distante, é verdade, quando o termo manezinho era visto de uma forma pejorativa: qués o quê, ô istepô! Tás pensando co sô otaro?

Com o decorrer dos anos, o ilhéu sepultou o termo em seu sentido pejorativo para assumir a manezice, o que foi provocado pelo inchaço de sua cidade, caminhando em ritmo de metrópole, ao acolher uma avalanche de almas efetivamente dispostas a navegar para a eternidade neste pedacinho de terra docemente perdido no Atlântico.

Há quem diga que essa auto-estima coletiva foi provocada a partir da criação do Troféu Manezinho da Ilha, em 1987; entretanto, como criador do evento, sou suspeito para fazer uma avaliação mais profunda. Mas fico com a certeza de que, com a criação do Troféu, o ilhéu reconquistou a auto-estima e, hoje, a caminho do terceiro milênio, tem um orgulho desgraçado em se assumir Manezinho.

Na verdade, o troféu Manezinho da Ilha, não tem a pretensão de resgatar a cultura açoriana; se assim fosse – seria recomendável premiar milhares de moradores das comunidades praieiras mas, sim, homenagear pessoas identificadas com o cotidiano da cidade, com elevado espírito ilhéu, com sentimento de orgulho por Florianópolis. Em síntese, ser Manezinho é um estado de espírito.

E, com base na história do troféu ao longo de 11 anos, em que já foram homenageadas mais de 200 personalidades dos mais variados segmentos sociais, meu amigo Chico Amante, manezinho juramentado e com direito a diploma, uma doce figura que respira Florianópolis o ano inteiro, decide perpetuar a memória dos Manezinhos da Ilha também em livro, sob o sugestivo título Somos Todos Manezinhos, um incansável e eficiente trabalho de pesquisa e que revela o espírito festivo de nosso povo, bem como o perfil de mais de duas centenas de figuras expressivas de nossa cidade e que, de alguma forma, se destacaram ou representaram  determinado segmento da sociedade.

Um livro com conteúdo histórico, que seguramente vai merecer lugar de destaque na estante daqueles que efetivamente amam Florianópolis.

Aldírio Simões de Jesus no prefácio do livro Somos todos Manezinhos, de Francisco Hegídio Amante, lançado pela Editora Papa-livro. Florianópolis, 1998.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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