1 trilhão de vidas

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Nícolas David

O Instituto de Pesquisas Estopim (IPE) além de homenagear essa frondosa angiosperma, também é responsável por estudos estatísticos que embasam as análises do Grupo Estopim de Comunicações (GEC). Nossos profissionais visitaram cemitérios, maternidades e parteiras em todo o mundo a fim de saber quantos cidadãos já passaram pela terra. Este trabalho começou em novembro de 2012 e em janeiro de 2012 a Terra ainda contava 999.345.346 pessoas.

O nascimento do cidadão 1 trilhão estava previsto para 13 de abril deste ano, mas uma parteira de Xapuri, no Acre, admitiu que errou nas contas, aumentando o número de nascimentos que ela fez. Corrigida a contagem, o menino Lindolf Stoievsk, nascido na Rússia, às 4h da manhã, de 15 de abril, de uma segunda-feira qualquer de 2013, é o cidadão de número 1 trilhão a pisar na Terra.

Note: o estudo não contabilizou apenas os vivos. Lembre que a Terra tem hoje pouco mais de sete bilhões de pessoas. Nossas pesquisas visitaram cemitérios, sarcófagos, museus (muita gente se empalha como bicho). Nossos pesquisadores (oceanógrafos bons em matemática) percorreram o fundo dos mares e dos rios e encontraram as cinzas de muitos homens e mulheres que preferiram o fundo do mar para morrer.

Há que se ressaltar: não encontramos o corpo de Osama Bin Laden, mas como se trata de uma figura pública desaparecida, cuja existência não se tem dúvidas, seu nome entrou na contagem. Outros que supostamente não morreram: Michael Jackson, Elvis Presley também poderiam levantar suspeitas no que diz respeito à credibilidade dos estudos. Reafirmo, pois, que nossa pesquisa não somou apenas as vidas vivas, mas as vidas que na Terra viveram. O levantamento, para quem ainda não entendeu, somou vivos e mortos.

Diante de tal relatório de nomes, de um banco enorme de imagens, e um completo arquivo de dados dos humanos que aqui passaram depois do dilúvio do qual escapou Noé, aliás, é importante dizer que figurões da mitologia humana como Adão e Eva não entraram na contagem, pois não tínhamos como registrar o número de vidas que pela Terra passaram antes do dilúvio. Depois dele, o homem registrou nascimentos riscando as paredes, estas denominadas escrituras rupestres. Cada família fazia um tracinho nas cavernas, que representava o nascimento de um novo rebento, e isso facilitou o trabalho dos arqueólogos do IPE.

Juízo de valores

Bom… Como eu tentei introduzir no parágrafo anterior… Diante de completa e inquestionável pesquisa é impossível não fazer alguns juízos de valores. Um editorial precisa ser analítico, crítico e o editorialista deve posicionar-se perante os fatos polêmicos que na Terra se passam. Ainda que a nossa redação (que não dispõe de espaço físico) seja livre, democrática e concomitantemente anarquista. Enquanto me deixarem impingir besteiras em nome do jornal, cometerei tais crimes com a mesma alegria de criança que vai ao parque de diversões.

E nesta brincadeira de fazer juízos de valores, sou obrigado a dizer que o senhor Adolf Hitler foi o pior dos seres humanos que passou na Terra. A guerra irresponsável pela qual ele tem toda responsabilidade e que ficou conhecida como a 2ª Guerra Mundial, foi a que mais matou pessoas. Uma guerra preconceituosa, desumana e uma ditadura cuja perseguição e maldade fez escola mundo a fora. De 1964 a 1984, os brasileiros viveram tempos semelhantes e também sanguinolentos.

O EUA foi o país que mais se meteu em confrontos bélicos. Vietnã, Rússia, Iraque, Afeganistão são os mais fresquinhos. Não importa se o presidente é branco, ou negro. Não importa, aliás, qual é o presidente, os EUA é o país mais brigão do mundo. A Coréia do Norte que se cuide. O EUA, aliás, deveria receber a letra I na terminação de sua sigla. Estados Unidos Imperialista da América (EUIA). O Estopim vai sugerir a mudança junto a ONU, pois como Flávio Tavares mostrou no documentário “O dia que durou 21 anos”, os EUIA deram uma forcinha para o estopim da ditadura no Brasil.

Felizmente, nem só de maldade resume-se esta segunda chance na Terra dada ao homem por Deus. Muitas foram as alegrias e muitos são os personagens que promoveram o bem e a paz. Nelson Mandela é, sem dúvida, o maior dos lideres. Ele notabilizou-se por lutar contra o fim do Apartheid (segregação entre brancos e negros) na África do Sul. Mandela foi presidente de seu país após ficar 27 anos numa prisão. Ele poderia ter desistido e saído pior do presídio, mas o sistema prisional sul-africano deve ser melhor que o brasileiro.

Outros cidadãos do Globo Terrestre merecem destaque nessa humanidade de 1 trilhão de nomes, mas quero parar por aqui, pois prefiro evitar injustiças. Também se eu dedicasse esse editorial para listar os maus e bons humanos que na Terra passaram em ordem alfabética, morreria escrevendo o editorial ainda na primeira parte e nos nomes começados com a letra A.

Vamos falar de jornalismo

O jornalismo, profissão que é uma desculpa àqueles que pretendem mudar o mundo para melhor, infelizmente, é controlada, chefiada, monopolizada por empresários sacripantas. Mas o jornalismo tem uma história belíssima e merecedora da menção: foi a profissão que mais uniu casais na Terra. Daí, diz-se que jornalistas vivem em cativeiro. A nível nacional, Fátima Bernardes e Willian Bonner são o exemplo mais famoso. Aqui em SC, posso citar os mocinhos do esporte Suyanne Quevedo e Edmilson Ortiz.

Como o Estopim é um coletivo de cabeças viciadas em jornalismo e mais: preocupadas em praticar um jornalismo diferente, nos confins deste registro histórico, que jornal nenhum noticiou e que nem o Observatório da Imprensa lembrará, dedico-me a mencionar o que alguns dos nossos colunistas (os vivos e os mortos) fizeram o bem na profissão no desenrolar da nossa história. Também finalizo dessa forma, porque somos nós, 19 viventes que ajudaram a somar 1 trilhão de vidas na Terra. Ou seja, cada um é importante em suas particularidades e sem nós a contagem estaria em 999.999.981.

Eis que inicio a listagem e a adjetivação desenfreada citando a velharia do Estopim: Bianca Queda foi a que mais traficou estatística; Rafa Bernardino a que mais resumiu assuntos curiosos; Leonardo Contin foi o responsável por tapar o maior número de buracos nas ruas, Thaís Teixeira popularizou a cultura em grande escala e Adilson Costa, bom… Adilson Costa eu ainda não entendi muito bem.

Listo também os que morreram por morte natural, suicídio ou homicídio culposo, quando não há intenção de matar (Este delito pode, da mesma maneira, ser provocado em razão de falta de cuidado objetivo do agente, imprudência, imperícia ou negligência). Luiz F. Cavalcante foi o que mais lutou pela causa gay nas páginas do Estopim; Bruna Moraes a mais viajante; Bruna Carolina a mais viajada; Leonardo Santos da Silva, o que mais ganhou dinheiro do Angry Birds por fazer propaganda; Marcelle Costa Oliveira a mais injustiçada pela direção do Estopim e Marcelle Fernandes a mais funkeira.

A nova safra de colunistas revelou que Maria Eduarda Silveira é mais preocupada com a conservação da família brasileira; Cristina Souza a mais dedicada à causa feminista; Ricardo Toledo é o mais criativo (e o mais alto); Tamara Bonilla a mais irritadinha; Bryan Lacerda o poeta mais endireitado e justo, e Ana Maria Ghizzo a maior promotora da obra de outros jornalistas.

E, fechando a lista, tenho nebulosas lembranças de um sujeito que há tempos foi responsável por criar o Estopim comigo. Aliás, não falei de mim, porque minha trajetória resume-se com qualquer adjetivo pejorativo. Enfim, este parágrafo tem pouca importância, serve apenas para desmoralizar um sujeitinho que rabiscou e rabisca umas ilustrações bonitinhas até. Ele atende pelo nome de Gessony Sebastião Pawlick Jr., mas pode ser chamado, simplesmente, de arregão! 15 de abril de 2013

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