21 DE SETEMBRO: DIA DO RADIALISTA

Que coisa estranha será essa que permite ouvir sons à distância, sem nenhum auxílio de fios? Qual a causa desse milagre? E para quê servirá esse engenho? De vez em quando alguém, imensamente generoso, retirava os fones do ouvido e permitia a outros sentir aquela sensação esquisita de quem está participando de um acontecimento importante na história da humanidade. Se voltássemos as nossas atenções a essas perguntas feitas na ocasião, estaríamos batendo em teclas conhecidas. No entanto, a última é importante: para quê servirá esse engenho?
Por Donato Ramos

Hoje, é uma simples notícia. Amanhã será história. É o destaque do Rádio na dinâmica do mundo… O Rádio, desde o seu surgimento, é a testemunha viva e atuante em todas as condições humanas.
 
É devida a homenagem que se faz aos homens e mulheres que escrevem a história da própria humanidade, no dia-a-dia do seu trabalho na Comunicação Social.
Todos nós compreendemos – ou deveríamos compreender – o Rádio e as pessoas que comandam e que fazem, por saber o valor da informação no mais eficiente comunicador de massas. Mais eficiente porque, no mais longínquo sertão, hoje, o homem já sabe das coisas, no momento exato em que acontecem em qualquer parte do mundo.
O Rádio planta a evolução humana e, esta evolução, é um esforço contínuo do homem para se adaptar à natureza que evolui por sua vez. Para isso é preciso chegar a conhecer a realidade ambiente e prever o sentido das próprias adaptações: os caminhos da sua perfeição.
Suas etapas se refletem na mente humana como ideais que circunstâncias propícias determinam. Assim, um homem, um grupo, uma raça, são idealistas por essas circunstâncias.
O dia dedicado aos radialistas nos é bastante caro, mas não pretendemos um estudo completo, detalhado, mas levar a todos eles abraços e desejos de que não deixem o seu ideal morrer nos intrincados caminhos da vida radiofônica.
Vamos recordar: 7 de setembro de 1922: transmissão do discurso do Presidente Epitácio Pessoa, inaugurando a Exposição do Centenário, na Capital da República.
No ano seguinte, a 20 de abril, foi fundada a primeira estação de radiodifusão brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro com o objetivo de trabalhar pela cultura dos que vivem em nossa terra e pelo progresso do Brasil, divisa que ainda hoje norteia muitas emissoras de Rádio. A Sociedade viria a ser transformada na Rádio Ministério da Educação.
Voltemos, ainda, aos primórdios da radiodifusão brasileira, onde nossos avós ficaram maravilhados diante de um misterioso aparelho, rústico por excelência, feito de caixa de charutos e que os obrigou a conjecturas angustiosas.
Perguntavam, talvez: “que coisa estranha será essa que permite ouvir sons à distância, sem nenhum auxílio de fios? Qual a causa desse milagre? E para quê servirá esse engenho?”.
De vez em quando alguém, imensamente generoso, retirava os fones do ouvido e permitia a outros sentir aquela sensação esquisita de quem está participando de um acontecimento importante na história da humanidade.
Se voltássemos as nossas atenções a essas perguntas feitas na ocasião, estaríamos batendo em teclas conhecidas. No entanto, a última é importante: para quê servirá esse engenho? Qual será a influência da radiodifusão em nosso meio social? Será um simples entretenimento ou terá a missão mais ampla e fecunda? O Rádio será um simples promotor de vendas ou poderia ser um órgão de informação eficiente e propulsor de idéias, mitos, instrução…?
Em pouco tempo o Rádio transformou-se em poderoso veículo de promoção de vendas, de intercâmbio de idéias, de difusão de notícias e de informações, de entretenimento, de educação e de cultura. E ninguém mais conseguiu viver sem ele.
A radiodifusão brasileira pode ser dividida em dois períodos distintos: o que vai de 1923 – época da fundação da primeira estação radiodifusora – a 1934, quando os programas radiofônicos sofreram grandes modificações, como reflexos do papel que a radiodifusão sofreu e exerceu nos movimentos revolucionários, e o que vai, desse ano, até o advento da ciência eletrônica e dos métodos estruturais da programação das nossas emissoras, adaptando-as ao que de mais moderno existia na execução do serviço.
 
Pretende-se aqui, neste escrito de um radialista dos anos de 1957 em diante, evidenciar perante a comunidade, o papel destacado e relevante da radiofonia, sem se deter em detalhes e observações do seu alcance no programa sociológico da nossa civilização.
Que a nossa palavra de fé na profissão de radialista anime a todos a crer naquilo que foi dito e que a nossa atitude seja traduzida como o desejo sincero de colocar a radiodifusão no seu verdadeiro lugar, ou seja, a cimentadora da unidade espiritual do povo brasileiro. Como disse o comunicador Saint-Cayr Lopes, em Fundamentos da Radiodifusão: “nenhum veículo poderá conduzir com mais eficiência a todos os quadrantes da terra, em todas as línguas, mensagens de paz”.
A radiodifusão poderá ensiná-la e ajudar a realizá-la porque como disse Guilherme Ferrero, o que se torna necessário é uma nova preparação da inteligência e do coração. Obra imensa, para a qual deverão concorrer os homens de Estado, os intelectuais, historiadores, artistas e filósofos.
Poderão muitos concluir que tudo o que aqui foi dito constitui apenas alguns sonhos a se juntarem aos que têm sido sonhados pela humanidade angustiada. E não há como contestar, se analisarmos o que tem sido feito nesse sentido. Mas, que melhor missão haverá para o Rádio senão esta, a de preparar a inteligência e o coração da humanidade?
Donato Ramos construiu sua carreira trabalhando nas seguintes emissoras: Clube Marconi de Paraguaçu Paulista – Paranavaí de Paranavaí – Astorga de Astorga – Colombo do Paraná – Ouro Verde de Curitiba – Independência de Curitiba – Cultura de Curitiba – Clube Paranaense (PRB 2) – Difusora de Itajaí – Clube  de Itajaí – Mirador de Rio do Sul – Difusora   de Rio do Sul – Educadora  de Taió – Sociedade Rádio Blumenau – Alvorada de Blumenau – Santa Catarina de Florianópolis. É também jornalista publicitário, escritor, artista plástico, músico.


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Por Donato Ramos

Radialista desde quando estreou ao microfone da Rádio Clube de Paraguaçu Paulista, na década de 1950. Trabalhou nas principais emissoras de Rádio do Paraná e Santa Catarina atuando na locução, produção e direção artística. Tem dezenas de livros publicados sobre rádio e jornalismo. Atualmente se dedica a ações filantrópicas.
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