25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, um novo passo?

Brasília foi sede do 25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, promovido pela ABERT – Associação Brasileira de Rádio e Televisão, realizado no período de 19 a 21 do corrente, no Centro de Eventos e Convenções 21 de Brasília.

Na abertura foi prestada homenagem ao convidado especial, Vice- Presidente José Alencar, que fez um belíssimo discurso e foi aplaudido de pé pela platéia formada por cerca de 1.500 congressistas e convidados. O Vice-Presidente foi muito receptivo e simpático com todos que quiseram ser fotografados ao seu lado.

Dilma Rousseff seria a primeira palestrante no dia 20, mas devido os seus problemas de saúde, foi substituída por outra oradora, “filósofa universal”.

A segunda palestra foi comandada pelo advogado Marcelo Bechara, representante do Ministério das Comunicações, que falou sobre a necessária modernização do Poder Concedente. Ato contínuo falou um representante do BNDES (Alan Fischler), abordando o programa de apoio à implantação da TV Digital. Não houve nenhuma alusão ao Rádio Digital.

Os deputados Paulo Bornhausen e Luiza Erundina se pronunciaram sobre a Conferência Nacional de Comunicação. Muita demagogia e pouca realidade.

De forma prática houve um encontro com representantes do Ministério das Comunicações, no qual os radiodifusores puderam expor e solucionar seus problemas e pendengas com o Ministério. Zilda Beatriz, braço direito do Ministro Helio Costa, descreveu formas para minimizar os problemas da radiodifusão. Palavra dela vale como decisão do Ministro.  

Um assunto que levou muita gente para o plenário foi a flexibilização da Voz do Brasil. Foram convidados para analisar e debater essa pendenga dois senadores (ACM Junior e Sérgio Zambiasi) e o deputado João Almeida. Falaram bastante, mas positivamente foi tudo teorias. Os políticos não querem saber de mexer na Voz do Brasil, principalmente os do norte e nordeste do país, que na falta de experiência para formular ou discutir assuntos relevantes para a região, usam os microfones para enviar mensagens de aniversário, festas na igreja matriz e divulgação de falecimentos de correligionários e patrocinadores.

O que também despertou significativa presença de congressistas foi a discussão sobre “Radiodifusão Comunitária e Radiodifusão Ilegal”.  Radiodifusores de cidades interioranas estão ameaçados de falência devido a concorrência das rádios comunitárias ilegais (“piratas”), que operam na clandestinidade, fazendo indevidamente propaganda comercial a qualquer preço, levando as rádios legais, às vezes desprovidas de recursos, mas pagando funcionários, direitos autorais e outros custos legais à situação falimentar. A rádio ilegal geralmente não tem funcionários e vende publicidade quase de graça, trocando espaços por mercadorias caseiras e roupas para a família. As chamadas “permutas”, que também muitas rádios legais são obrigadas a praticar.

Três temas influenciaram a platéia na última tarde do Congresso: a Importância da Publicidade para a Democracia e para o Desenvolvimento Social e Econômico do País; Competição e Ética no Rádio e na Televisão; e Comitê de Apoio às Transmissões Radiofônicas em Amplitude Modulada (AM).

Também os engenheiros que atuam na radiodifusão tiveram o seu espaço para debater novas tecnologias e ajustar procedimentos. Isto aconteceu no 28º Seminário Técnico Nacional de Radiodifusão, paralelamente ao Congresso. Para o segmento “rádio e televisão” os assuntos foram “Relatório Final dos Testes Realizados para o Rádio Digital” e “Implantação da TV Digital”. As abordagens envolveram os engenheiros Ronald Barbosa (Abert), Fernando Ferreira (Rbs), Roberto Franco (Sbt) e Antonio Paoli (TV Bahia). Para a finalização do Seminário os segmentos foram distintos. Rádio: Novas Tecnologias de Antena para HD Rádio (alta definição), a cargo do Engenheiro Dante Conti, fabricante das Antenas Transtel. Televisão: Esforço de Internacionalização da TV Digital Brasileira, cujos debates ficaram entre os engenheiros André Barbosa (Presidência da República) e Roberto Pinto Martins (Min. das Comunicações). O terceiro tema foi “Novos Procedimentos dos Atos de Pós Outorgas”, a cargo de burocratas e técnicos do Ministério das Comunicações.

No segundo dia do Seminário Técnico Nacional, segmentos distintos envolveram rádio e televisão. Rádio: Indústria Nacional e a Produção de Transmissores e Receptores. Os palestrantes eram todos fabricantes de equipamentos. Televisão: Engenharia e Planejamento do Espectro, envolvendo engenheiros vinculados à Anatel.

Em síntese: o Congresso Nacional da ABERT e o Seminário Técnico Nacional de Radiodifusão, despertaram curiosidades entre a comunidade de operadores de Rádio e Televisão e envolveram técnicos, engenheiros, advogados e interessados em novas tecnologias para o desenvolvimento da radiodifusão em seus múltiplos segmentos.  Estão de parabéns todos os que se esforçaram para comparecer e participaram dos seus eventos.

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