33 Locutor a Força

O bom filho a casa volta!
Foram dez anos magníficos com a TNT, onde cresci tremendamente como pessoa e profissionalmente. Os desafios como produtor não foram poucos nem fáceis, principalmente quando havia mudança de vice-presidente.
Por Aguinaldo José de Souza Filho

Nada mais inquietante! Será que o novo diretor criativo vai trazer sua ‘turma’? terei emprego amanhã? do que será que ele gosta? e se ele mudar todo o visual a que estamos acostumados? Será ele um cara legal ou um prepotente de galocha – comum entre profissionais deste nível.
Como encarregado do lado brasileiro da TNT, o que incluía produzir as chamadas (promos) em inglês, espanhol e português, tradução simultânea dos Award Shows, e a voz da estação. Foi um dos períodos em que estive mais ocupado em minha vida, mas ainda assim achava tempo para fazer umas dublagens, narrações e atuar em alguns filmes e comerciais no mercado local.
Atlanta, quando chegamos de Los Angeles, em dezembro de 1990, estava com aproximadamente dois milhões de habitantes. Quando fui para a TV-PSN na Flórida, dez anos mais tarde, estava com quase quatro milhões. Vivenciamos uma verdadeira explosão demográfica.
Na verdade, antes de começar na PSN (Pan-American Sports Network), produzi para a Direct-TV por algumas semanas, até receber o convite da PSN, onde atuei como produtor de notícias, narrador e âncora de golfe.
A estação ficava em Fort Lauderdale, ao norte de Miami, mas esta aventura só durou pouco mais de um anos. A direção chilena meteu a mão na caixinha e a estação foi à falência. Mataram a galinha dos ovos de ouro! Poucos brasileiros tiveram a chance de conhecer esta estação dinâmica, que oferecia o que havia de melhor em esportes. Os maiores e mais caros campeonatos e torneios eram transmitidos pela PSN. Eu
estava conseguindo fazer a transição do jornalismo para o lado esportivo das notícias, e estava até gostando. Aprendi muito. O campo de vozes, dublagens e de ator em comerciais estava vicejando em Miami.
Um dos mais modernos estúdios de dublagem da Flórida, ‘The Kitchen’, do Cisneros, mantinha uma boa parcela do talento brasileiro em Miami empregada, entre outros estúdios. Os meus velhos clientes de Akron, Washington e de Nova York de quando em quando também me davam trabalho.
Mas ainda não dava para manter o status quo. Minha esposa e eu abrimos uma sorveteria na praia de Hollywood, que também foi vítima do ataque de onze de setembro em Nova York. As praias do sul da Florida vivem do turismo, principalmente vindo do Canadá. Ninguém estava voando mais. As praias ficaram vazias. A bolsa de valores caiu, e com ela nossas reservas. Foi um desastre, ao qual conseguimos sobreviver por quase dois anos, graças às minhas gravações e papéis em comerciais, como ator. Aí a indústria de dublagens em português começou a se mudar para o Brasil e Argentina, entre outros. Estúdios começaram a fechar, inclusive o  maior deles, The Kitchen.  Uma decisão precisava ser tomada logo!
A vida nos Estados Unidos é maravilhosa, mas é muito cara. O sistema capitalista não perdoa. Se não pagar as contas os bancos te tomam tudo, e não leva mais que dois a três meses. Casa, carro, móveis, enfim, tudo que ainda não foi pago, o sistema recolhe. Você volta um dia do trabalho e encontra todos os pertences de sua casa na calçada e a casa lacrada. Cansei de ver isso acontecer, só que não esperava nem iria deixar que fosse acontecer conosco. Concluindo, fomos forçados a vender a sorveteria que havia custado centenas de milhares de dólares por uma ninharia, e tivemos que tomar uma decisão, e rápido. Vendemos a casa com um bol lucro.
Pensamos nos mudar para o sul da França, ou para Sevilla, na Espanha, ou para Fortaleza, que havíamos conhecido anos antes e nos apaixonamos. Pensamos até no Rio, minha antiga base profissional, mas a violência nos assustou. Aí entrou em cena a terra da minha família, Florianópolis. Minha esposa portuguesa, filha única e desejosa de ter primos e sobrinhos por perto, Floripa ganhou. Depois de 38 anos no exterior – pensando que nunca mais voltaria – aqui chegamos no começo de 2004, bem no meio de uma greve da polícia federal – porque haveria de ser diferente? que reteve nossa mudança por três meses no porto de Itajaí. Hoje estamos quase integrados na terra dos manézinhos, onde já faço comerciais para a TV e o rádio local e dou aulas de produção criativa numa faculdade local. Aproveitando a tranquilidade de nosso recanto no Rio Vermelho, minha esposa aí escreveu dois livros, um dos quais será lançado no fim deste mês. Eu terminei o roteiro de um filme e estou trabalhando no livro destas aventuras. Foi um prazer tê-los a bordo.


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