50 anos de amor à Ilha

Cinco décadas da canção símbolo de Florianópolis serão celebradas com show gratuito no Mercado Público da cidade.

zininho

Não fosse o empurrão dos amigos, Rancho de Amor à Ilha ficaria de fora do concurso Uma Canção para Florianópolis, que em 1965 premiou a obra de Cláudio Alvim Barbosa (1929-1998), o Zininho, e a imortalizou como símbolo poético- musical da cidade. Hoje, 50 anos depois, Cláudia Barbosa, filha caçula do poeta, celebra o aniversário da música com show gratuito no Mercado Público, acompanhada de Denise de Castro (voz e piano), Aurélio Martins (trombone) e Richard Monano (bateria).

A data exata da composição é incerta, porque “Zininho tinha esse jeito de compor que era um processo”. Quem lembra é o radialista, jornalista, pesquisador e amigo Antunes Severo:

– Em 1965, ele começou a desenvolver a ideia de Rancho como canção de saudação a Florianópolis, mas levou vários meses. Recebeu muitas opiniões.

Zininho integrava uma espécie de irmandade, formada por amigos do rádio que se reuniam para a boemia e para fazer música. À época ele compunha jingles, mensagens publicitárias musicadas para as quais o locutor Severo era requisitado. Outra figura importante foi o jornalista Adolfo Zigelli (1936-1975).

– Ele era nosso líder intelectual. Não fazia música, mas tinha boas ideias. A canção nasceu junto. Os primeiros ouvintes fomos nós – lembra Severo.

O poeta compôs a obra em duas etapas, concluindo-a no bar, com título sugerido por Zigelli. A diva do rádio Neide Mariarrosa foi a intérprete dessa e tantas outras composições de Zininho. Tão logo ficou pronta, ganhou popularidade, muito graças ao programa de variedades Ponto de Encontro, que Severo comandava na extinta Rádio da Manhã. O sucesso foi estrondoso. No Carnaval seguinte, foi uma das mais cantadas.

O concurso

– Zininho não queria concorrer, fomos nós que o empurramos para participar do concurso. Foram centenas de inscritos – relembra Severo.

Quem coordenou a competição promovida pela prefeitura foi Donato Ramos, 80 anos. O então prefeito, general Paulo Weber Vieira da Rosa, queria popularizar sua administração e amenizar o clima gerado pela derrubada de poder pelos militares em março de 1964. Daí a ideia de realizar a promoção Uma Canção para Florianópolis.

– Tínhamos concorrentes do Brasil todo, foi um trabalho muito grande. Chamei o Severo para apresentar comigo. Lembro de nós dois trajando smoking num calor de 40ºC no Teatro Álvaro de Carvalho. Mas aguentamos firme. As canções e melodias dos concorrentes eram lindas. O Rancho não venceu fácil – conta Ramos.

Três anos depois da competição, a música continuava na boca do povo e, em 27 de agosto de 1968, foi transformada no hino oficial da cidade.

(Por  DC, 24/09/2015)

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *