Quanto vale o tempo?

Com certeza a resposta tem a ver com cada pessoa, seus valores, interesses, ambições, desejos, necessidades e crenças.Se até num carro, numa casa ou apartamento colocamos um preço, parece comum a nós dar valor a coisas as quais consideramos importantes.  E o meu tempo, e o seu tempo, quanto vale? Como medir ou calcular?

tempo não pára

A única tabela de valores parece estar em nossa mente, nosso “coração”.

Tempo todos nós temos; e há nisso certa democracia. São os mesmos 365 dias por ano, os 12 meses, ou 24 horas por dia. Há então pelo menos dois pontos:

Primeiro: Como o encaramos ou entendemos. Segundo: Como o usamos ou aproveitamos.

Quantas vezes ouvimos pessoas que passaram por uma grave doença ou acidente que quase lhes tirou a vida, dizerem: “Hoje, dou mais valor ao meu marido ou esposa, aos filhos, meus pais, aos amigos, ao cantar dos pássaros, ao fato de acordar e respirar”. Há uma música que em parte diz: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer… devia arriscado mais, trabalhado menos…” Titãs: Epitáfio (Do grego: sobre o túmulo)

Poupar dinheiro parece ser uma decisão inteligente e coerente. Mas, e o tampo, por que poupá-lo?

Algo do tipo: Deixar para ser feliz amanhã. Trabalhar muito, fazer um “pé de meia” para curtir bem uma velhice que sejamos sinceros; não sabemos se chegará para nós.

Se até o dinheiro guardado pode não ser aproveitado que dizer do tempo?

Poucos dias antes de escrever essa coluna fui ao funeral de um amigo. Seu filho, também meu amigo, por vários minutos ficava acariciando os cabelos do pai, uma ou duas horas antes da cerimônia de cremação. Sei que na verdade, ele queria ter feito aquele afago, aquele cafuné no pai enquanto ele pudesse senti-lo. Mas por que relutamos em demonstrar o carinho, o amor, o perdão, até que o pior aconteça?

É ser dramático demais dizer que essa pode ser minha última coluna? Alguns dirão: “Ui, vire essa boca pra lá, estás louco?” Não. Apenas consciente que não temos certezas sobre minutos, horas e dias a frente; temos planos, talvez muitos planos, mas certezas fogem às nossas escolhas.

Creio que não há quem não concorde que o tempo parece estar passando rápido demais.

É impressão? Pode ser. Mas dá impressão que não é mera impressão. O excesso de informações, de atividades e preocupações fazem as horas, dias, meses e anos passarem “voando” diante os nossos olhos.

Já li há anos a história do menino que tinha um pai muito trabalhador, muito ocupado. Um dia o menino perguntou o quanto o pai ganhava. O pai respondeu. O menino fez um cálculo, poupou e surpreendeu o pai. Se aproximou dele e disse que queria muito falar com ele. Quando o pai disse que estava muito ocupado e com pressa  para sair; o filho tirou o dinheiro do bolso e disse que pagaria por uma hora de atenção do pai. E pior que a história parece ser real. E não deve surpreender por ser real.

Pais sobrecarregados. Filhos com tantas atividades que nem têm tempo de serem crianças.

Pais dedicados e preocupados com o futuro dos filhos e com medo que sejam vítimas das drogas lhes enchem de atividades, mas raramente se incluem nelas.

Há pouco tempo pensei: “Por que Deus fez o dia com apenas 24 horas?”

Só depois percebi o engano no meu pensamento. O dia de 24 horas, o ano de 12 meses ou de 365 dias está perfeito. Eu é que estava tão atarefado como quem está em uma loja, adquiri vários produtos legais, normais, mas as mãos estão ocupadas demais para abrir a porta e sair. Então notei que uma das mãos tinha que estar livre, pelo menos uma, para abrir a porta ver que há muito mais de belo e sem preço a apreciar.

Olhar um pôr-do-sol, um céu estrelado, o mar, o sorriso dos filhos, a voz dos pais, o carinho do cônjuge, o abraço dos amigos, a paz de Deus, a boa música, o canto dos pássaros, as brincadeiras do cachorro, o sabor de uma boa comida, o descer de uma boa bebida; o se permitir amar e ser amado, o perdoar e se perdoar; ah se somar tudo isso, quanto custaria?

Custaria tempo para usufruir e fazer acontecer. Só custaria isso – Tempo. E quanto ele vale?

Categorias: Tags: ,

Por Deivison Hoinascki Pereira

Jornalista, barbeiro, acadêmico em Letras Língua Portuguesa pela Faculdade Estácio de Sá, escritor, produtor e apresentador do programa de rádio - Na cadeira do barbeiro. Mantem o blog: http://deivisonnacadeiradobarbeiro.blogspot.com.br/ E colunas nos Jornais Biguaçu Em Foco. Cronista do Portal Caros Ouvintes.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *