novembro azul caros ouvintes

Novembro Azul. Calma, é só um toque.

 

Álvaro e Juca estavam no bar do seu Arlindo falando sobre futebol; Avaí e Figueirense. Álvaro, figueirense e Juca, avaiano. Cai, não cai, fica, volta.. Nesse momento chega Roberto. Ele se enche de coragem e diz:

–  Vou falar sem vergonha. Fiz o tal do exame do toque. É, aquele mesmo.

novembro azul

Havia mais de 10 homens no bar. A maioria ficou perplexa; sobretudo com uma expressão de Roberto, “vou falar sem vergonha”. Aquilo soou estranho para eles. Seu Arlindo ofereceu uma rodada por conta da casa.

–  Roberto, percebendo um certo preconceito, enfatizou:

– É isso aí. Fiz mesmo e não tenho vergonha.E vou fazer uma pergunta, quantos de vocês aqui fumam? Sabiam que depois do câncer de pulmão, o de próstata é o que mais mata homens no Brasil?

Quase todos eram fumantes, então, baixaram a cabeça e tentaram disfarçar.

Quando começaram as piadinhas sobre o exame que Roberto havia feito, Álvaro e Juca entraram na conversa. O primeiro foi Álvaro. Ele relatou:

– Qual é o problema? Eu mesmo fiz o exame e não sou menos homem por isso. O Roberto falou bem, o câncer de próstata é o segundo que mais mata em nosso país. E digo mais, foi tranquilo. Fiz pela primeira vez, não dói nada. E é bem rápido.

Juca entrou na discussão:

– É. Eu também fiz – Álvaro ficou surpreso. Seu bom amigo Juca não havia comentado nada até então. Ele acrescentou – Ninguém é menos homem por fazer o exame do toque, pelo contrário, tem que ser muito macho.

Roberto e Álvaro gostaram da defesa de Juca. Só não entenderam muito bem a parte de ser muito macho. Os bate papos de bares costumam ser francos, ainda que um tanto rudimentares.

Juca passou a explicar com calma e em detalhes como é feito o exame. Alguns se encolhiam. Havia os que riam. Outros respiravam fundo. Juca, Álvaro e Roberto não entenderam porque alguns respiraram fundo. Mas Juca comentou sobre a importância de se fazer o exame e como há possibilidades de cura se descoberto no início.

Roberto disse que o seu médico fora o doutor João Carlos. Álvaro disse que o seu fora o doutor Cláudio. Juca sorriu e disse que o seu também fora o doutor Cláudio.

Álvaro disse:

– O doutor Cláudio é um homem de uns 40 anos, moreno claro, 1,80 de altura, olhos verdes, voz de locutor de FM e muito atencioso.

Juca disse:

– Não, É outro. O doutor que fez meu exame é mais novo. No máximo 30 anos, loiro, olhos azuis, 1.90, parecia malhar muito. É solteiro e mora numa das praias da ilha.

Os demais homens se olharam com certo receio. Perceberam que o exame era fundamental para a vida e resolveram fazer também. Só havia uma dúvida; nunca haviam percebido como os amigos eram tão observadores.

Uns dois meses depois, os mesmos homens, no mesmo bar, falavam a respeito da importância do exame de toque; que não fazê-lo é tolice; ninguém é menos homem por se sujeitar ao teste. Estavam seguros e decididos a repetir no ano seguinte e incentivar todos os demais amigos e familiares a terem essa experiência.

Todos falavam da ausência da dor, do passageiro constrangimento, da importância da vida. Mas preferiram evitar dar detalhes sobre os médicos assim como os 3 primeiros amigos haviam feito. Pensavam que não deveriam expor tanto seus médicos. E vai que naquela roda de mais de 10 amigos o mesmo médico tivesse atendido mais de um deles. Era pessoal demais.

Concordaram que o mais importante é fazer o exame sem medo e sem preconceito. independente do médico!

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