80 ANOS DA RÁDIO GAÚCHA: ARMINDO ANTÔNIO RANZOLIN

Dono de uma das vozes mais identificadas pelo ouvinte da Guaíba ao longo dos anos 70, Armindo Antônio Ranzolin transferiu-se para a Gaúcha em maio de 1984, assumindo, três anos depois, a gerência-executiva da emissora, cargo transformado no de diretor em 1992. É sob sua gestão que a rádio passa a encabeçar uma rede via satélite. Por Luiz Artur Ferraretto

Um ensaio acontece durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Já durante os amistosos da Seleção Brasileira, precedendo o certame, o sinal é liberado para que qualquer emissora retransmita os jogos, atraindo até mesmo rádios em espanhol e português instaladas no país sede da copa. Em junho e julho, os ouvintes das 358 estações em cadeia vão acompanhar a conquista do tetracampeonato. No dia 20 de março de 1995, uma edição especial do programa Gaúcha Atualidade inaugura, oficialmente, a Rede Gaúcha Sat, a primeira deste tipo fora do eixo Rio-São Paulo. Com 12 afiliadas por contrato – todas do interior do estado –, a RBS pretende, então, atingir um universo potencial de 7 milhões de consumidores e ultrapassar as fronteiras do Rio Grande do Sul. A própria programação ganha características nacionais. Um exemplo é o Gaúcha na Madrugada, de Jayme Copstein. que se transforma em Brasil na Madrugada. Também se altera um pouco o enfoque dos noticiários para que incluam apenas fatos de maior abrangência, sem perderem, dentro do possível, as características regionais.



Anúncio (1996).

Dez anos mais tarde, em 2004, conforme dados do site corporativo da RBS, a Rede Gaúcha Sat abrange 117 emissoras: 71 no Rio Grande do Sul, 17 em Santa Catarina, 11 no Paraná, cinco no Mato Grosso e duas no Mato Grosso do Sul, além de outras 11 em Rondônia, Acre, Maranhão e na cidade de Campinas, interior de São Paulo. Os Sirotsky conseguiram, deste modo, barrar o avanço de grupos do centro do país sobre os mercados da Região Sul, como admite Armindo Antônio Ranzolin, diretor da Gaúcha de 1991 a 2004:
– Nós barramos a entrada da Jovem Pan, da Band, da própria Globo, da própria CBN, que queria encher de retransmissoras no interior e só conseguiu este ponto de retransmissão aqui em Porto Alegre. Nós, ao contrário, barramos a entrada deles e exercemos uma força de invasão do Rio Grande do Sul a partir de Santa Catarina e do Paraná. O nosso produto invadiu aquele território.
Com esta força, a Gaúcha chegou ao início do século 21 como a terceira marca radiofônica mais prestigiada do país, conforme pesquisa realizada, em 2001, pela Jaime Troiano Consultoria para a revista Meio & Mensagem. Perdia para a Central Brasileira de Notícias e a Jovem Pan FM, mas superava operações em radiodifusão sonora de empresas do centro do país como 89 FM, Bandeirantes AM, Globo AM, Jovem Pan AM e Transamérica FM, entre outras.
No final de 2006, Ranzolin anunciou a sua aposentadoria, deixando no ar a indagação dos ouvintes sobre quem serão os comunicadores a marcar os próximos anos da emissora. De fato, ao completar oito décadas, a Gaúcha tem por desafio renovar-se, compensando, com novos profissionais, a ausência de conhecidíssimos jornalistas e radialistas, alguns deixando a emissora por iniciativa própria, outros nem tanto, sem falar dos que se transferem para os microfones da concorrência.


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1 responder
  1. João Luís Ferrareto says:

    Excelente lí vários de seus livros. Meus parabéns. Assinado João Luís Ferraretto filho de João Alberto Ferraretto (Carruira)

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