A bomba de chimarrão do pernambucano J. Antônio D’Ávila

Um dos troféus que o cidadão Jesuíno Antônio D’Ávila levou do Rio Grande do Sul quando encerrou sua brilhante carreira na Rádio Gaúcha de Porto Alegre foi uma vistosa bomba de chimarrão. O professor Ferraretto mencionou o fato em seus artigos neste site e, mais recentemente, o leitor César Augusto Leal, amigo pessoal que foi J. dÀvila, acrescenta detalhes curiosos sobre onde anda essa bomba. A bomba foi entregue ao homenageado no programa do Flávio Alcaraz Gomes na presença do músico, poeta e historiador Paixão Cortes. E acrescente a Cesar: “A bomba era um símbolo para nós, pois depois que passou pelo Rio Grande  o d’Àvila sempre tomava chimarrão e quando faleceu a sua esposa e inseparavel companheira Naia, me deu a bomba para guardar de recordação”.

Em sua correspondência ao Caros Ouvintes, César lembra: “Convivi com o jornalista em sua casa de praia em Bertioga e em São Paulo e depois de seu falecimento ouvi de sua esposa Naia, as narrativas e todas as histórias de pessoas que ele lançou na vida artística e que frequentavam sua casa”. E completa: “d’Àvila morreu pobre, sem dinheiro, embora ele tenha sido o homem mais bem pago do rádio, era o maior salário da história do rádio”.

J. Antônio d’Àvila foi amigo pessoal de Jânio Quadros e ficou muito abalado com a renúncia do presidente. Mas, quando Jânio se elegeu prefeito de São Paulo Jânio lhe ofereceu uma secretária e ele não aceitou. Sobre essa passagem, César Augusto registra que o amigo escreveu uma carta com os motivos porque não aceitava e finaliza: “essa carta eu mandei também para a escola onde ele estudou na sua terra natal”.

Também recordou enviando vários trechos de correspondência de J. D’Àvila com poeta Carlos Drummond de Andrade: “…sua poesia é fruto de dura confrontação com a vida, que não lhe fulminou o lirismo, antes lhe deu palpitação maior” e com ele, César: “…Cesar, a vida está dando a Cesar o que é de Cesar… conta com meu calor amigo, minha ternura… escreve, escreve, escreve. Quando acabar o papel escreve em rolos de papel de embrulho, mas escreve… escreve sem pudor, sem mentir, escreve… Quixotes que somos / cavalheiros de triste figura / nossa loucura é essa / sentir fortemente a vida / duramente e penetrá-la”. São Paulo, 06 de outubro de 1982. Do teu irmão J. Antônio d’Avila

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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