A Bossa Nossa de Luiz Henrique Rosa

Carol Macário, repórter e colunista do DC registra entre as notas que movem a cultura musical de Santa Catarina esta Bossa Nossa.

Capa do LP 2Luiz Henrique Ross era de uma genialidade internacional. Junto com Zininho e Neide Mariarrosa, deu vida nova à cena musical de Santa Catarina. No Rio de Janeiro integrou o movimento que criou a Bossa ova, ao lado e João Gilberto e Tom Jobim.

Hoje, dia em que ele completaria 77 anos, o projeto Conexões Culturais da UFSC, homenageia o música com uma roda de conversa entre o radialista e comunicador Antunes Severo e o poeta e jornalista Carlos Damião no Auditório do Centro e Educação da UFSC, às 19 horas. O mestre Guinha Ramires, no violão, e a cantora Sílvia Abelin encerram o evento com canções do compositor catarinense. E para quem quiser saber ainda mais a Biblioteca Universitária expõe até na sexta-feira cartas. Documentos, fotos, discos e outros pertences do músico.

Antunes Severo, contemporâneo amigo e admirador da arte de Luiz Henrique, por sua vez, rememora artigo-ensaio inspirado no texto de Ilmar Carvalho escrito em 1975 por ocasião do lançamento do LP MESTÇO pela gravadora Itagra criada por Luiz Henrique em Florianópolis.

Luiz Henrique Rosa: olha o céu que azul tão bonito, olha as águas tão verdes do mar…

Quando conheci Luiz Henrique na Rádio Diário da Manhã em 1958 ele vinha de experiências iniciadas em boates e cafés da cidade. Andou se apresentando na rádio Guarujá e depois seguiu linha própria interpretando sucessos do repertório de grandes astros da música popular norte-americana ao microfone da Rádio Diário da Manhã. Com o conjunto de Norberto Baldauf testou suas primeiras composições no Rio Grande do Sul. Daí, para o sucesso foi uma questão de tempo, dedicação e perseverança.

Luiz Henrique percorreu caminhos muito próprios para chegar aos espaços que ocupou com muita simplicidade e competência. Na emissora da Praça XV fez apresentações em programas de auditório e depois assumiu um horário nas noites de quinta-feira quando mesclava solos, duetos e trios com as irmãs também cantoras.

Ali ampliou o convívio com Zininho e amadureceu seu talento de arranjador com Aldo Gonzaga. Com Zininho compôs o samba-canção Se Amor é Isso e com Aldo Gonzaga chegou a gravar na Philips do Brasil o LP A Bossa Moderna de Luiz Henrique em 1963. São desse tempo também suas primeiras criações em parceria com Raul Caldas Filho. Raul escrevendo as letras e ele musicando.

Luiz descobriu nesse período que precisava de uma vitrine para mostrar sua música e interpretações. Foi direto negociar com o dono de um dos espaços mais centrais entre o Palácio do Governo e a rua Felipe Schmidt. Justo onde funcionava o Restaurante Polli. Ali instalou o Samburá, um bar musical com direito a vista para a Praça XV. O Samburá era uma autêntica novidade. Refletia na sua decoração a simplicidade e a singeleza da Ilha de Santa Catarina, aliadas ao intimismo da música que o menestrel compunha e cantava acompanhando-se ao violão. Era o point da galera que mais tarde se descobriu chamando a cidade carinhosamente de Floripa. Ali Luiz Henrique fez sua primeira prova de fogo: mostrou o talento que carregava e a força de sua vontade de vender. Por isso, durou tão pouco o Samburá.

Aliás, Luiz Henrique “fez uma carreira muito rápida para quem sai de Florianópolis em 1961, vai para Porto Alegre e chega ao Rio em 1962, pousando no Beco das Garrafas, via João Gilberto”, como disse Ilmar Carvalho. Nesse pique o garoto da praia de Itaguaçu – embora tenha nascido em Tubarão – depois de ter gravado o primeiro LP em 1963, “em 1964, em meio a shows e apresentações no Rio e São Paulo, vai para os Estados Unidos com o Sexteto de Jazz de Paul Winter”.  Era a invasão dos músicos brasileiros que Tio Sam aceitava depois do histórico concerto de 1962, no Carnegie Hall.

Assim como conquistou a amizade dos grandes nomes da Bossa Nova, no Rio de Janeiro, Luiz Henrique dá o seu grande salto nos Estados Unidos trabalhando com Stan Getz, com quem excursionou ao Japão. De volta à América do Norte cumpre uma extensa turnê de 40 shows em universidades, terminando com apresentações no Philarmonic Hall, no Lincoln Center de Nova Iorque e em casas como Village Vanguard e Café au Go Go. Essa temporada registra Ilmar Carvalho, se estende por “Los Angels, Washington, Chicago, Boston, San Francisco. Firma seu prestígio e faz programas nas redes de TV NBC, CBS e ABC”. E conclui Ilmar: “como compositor suas músicas são gravadas por artistas do porte de Liza Minnelli, Harry Belafonte, Nancy Wilson, Oscar Brown Junior, Carl Tjader, Noel Harrison, Andréa Markowitzck, Sivuca, Walter Wanderley, Billy Butterfield, Bobby Hackete e Jean Pace”.

A discografia e o sucesso de Luiz Henrique estão ligados aos Estados Unidos. Lá, em sete anos botou sete LPs na praça. Ao todo é a seguinte a sua produção discográfica:

  • Garota da Rua da Praia. Philips EP 45 RPM, 1961
  • A Bossa Moderna de Luiz Henrique. Philips, 1963
  • Barra Limpa. Verve MGM, 1967
  • Popcorn. Verve MGM, 1967
  • Bobby, Billy & Brazil. Verve MGM, 1967
  • Finding a New Friend. Fontana, 1968
  • Listen to Me. Fontana, 1968
  • Joy 66. Reprise, 1968
  • Mestiço. Itagra, 1975. LP com vocal e violão, composições e produção de Luiz Henrique. A capa é do artista plástico catarinense Hassis com texto de apresentação de Ilmar Carvalho. O disco gravado no Rio de Janeiro e Estados Unidos tem a participação de Meirelles, João Palma, Edson Machado e outros. As canções Sonhar e Jandira são parcerias com Raul Caldas Filho.

Fonte: LP Mestiço. Luiz Henrique. Itagra, 1975

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