A corrida do Queiroz

Memória | Capítulo 19 Hoje as coisas estão diferentes, mas antigamente era uma pedreira para um locutor esportivo fazer a transmissão de um jogo de futebol em algumas cidades do interior do Paraná. Os torcedores das equipes locais hostilizavam não apenas os jogadores adversários, mas também os locutores esportivos das emissoras de Curitiba.
As cabines eram inseguras e não foram poucos os que sofreram agressões de alguns fanáticos torcedores insatisfeitos com as narrações que ouviam. Não se podia criticar a equipe da casa sob pena de apanhar. Literalmente, apanhar.
Osmar de Queiroz, que começou a sua carreira na Rádio Marumby e depois atuou na Rádio Clube Paranaense, certa vez foi a Paranaguá irradiar um jogo entre o Rio Branco local e o Ferroviário, de Curitiba, lá no Estádio da Estradinha, (o antigo Nelson Medrado Dias).

O Ferroviário daquela época mais tarde passou a se chamar Paraná.
Já de início o Queiroz, pra chegar à cabine de transmissão, teve que subir por uma escada de pintor. Lá em cima, narrou o jogo e por várias vezes criticou o time local cujos jogadores estavam batendo pra valer. Depois, repreendeu a torcida do Rio Branco porque alguém jogou um bloco de caliça sobre o Paulista, goleiro do Ferroviário.
Nossa! Foi a conta! Começaram a jogar caliça e pedras na cabine de locução. Foram além: tiraram a escada por onde o Queiroz iria descer ao terminar a partida.

Ao término do jogo ele se encolheu num cantinho pra se livrar das pedradas, colocou o equipamento numa maleta e ficou à espera de que os irritados torcedores se acalmassem e fossem embora.
Alguns arruaceiros cercaram, também, a saída do vestiário dos jogadores do Ferroviário impedindo-os de ir embora. A turma que estava atirando pedras no Osmar de Queiroz afastou-se dele e foi participar da zorra próxima ao vestiário dos atletas. Aproveitando-se da confusão ele conseguiu pular e, procurando não chamar a atenção, seguiu de mansinho para o portão do estádio. De repente chegaram policiais e bombeiros e começaram a lançar jatos de água no povão, afastando-o de onde estavam os jogadores do Ferroviário. Percebendo a fuga do locutor, o bando foi correndo na tentativa de alcançá-lo. Para felicidade do Queiroz ia passando em frente ao estádio, dirigindo seu velho jipe, um padre que era da Rádio de Paranaguá e, percebendo a encrenca, salvou o locutor, levando-o para a igreja. Foi uma canseira danada. Uma correria que jamais foi esquecida.

Cada locutor esportivo dos velhos tempos tem uma aventura parecida para contar, pois em geral queriam bater em nossos locutores. Felizmente agora está melhor, mas vez ou outra ainda ocorrem alguns problemas. Ainda bem que nem todos os torcedores concordam com essa agressividade.

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