A crise moral e a hipocrisia política

A nação se violenta e se adultera no cinismo de uma inconsciência dos valores morais e éticos, sem perspectivas de acordar-se para uma realidade doentia.

passarosOs três poderes institucionais, sufocados na afluência de mentiras e socorros aos interesses sórdidos do corporativismo e amarras políticas, são na verdade as raízes da crise moral e das incertezas que nos impõem a dificuldade de sermos brasileiros convictos.

A república brasileira tornou-se possível mediante a outorga das classes dominantes, principalmente das elites agrárias, que admitiram reorganizar a nação na tentativa de minimizar a insatisfação e os conflitos gerados pelo regime imperial. Os 126 anos de república ainda são conturbados, com golpes destinados a salvaguardar as conveniências das classes dominantes. A nação continua marcada pela pobreza social e, sobretudo, pela descrença nos alicerces da democracia, justamente em função das armadilhas dos arlequins da política de alcova.

A sociedade brasileira convive com o cúmulo de hipocrisia e esperteza, que alimenta instabilidades políticas e a descrença popular, em detrimento do desenvolvimento social e econômico. Como já disse Rui Barbosa no começo do século XX e que retrata a realidade de hoje, “a política é uma brenha de traições e duplicidades”, que mergulha a nação na desconfiança permanente.

Vivemos sufocados por leis, normas e conceitos que nos obrigam todo instante a provar que somos honestos. Hoje é preciso até reconhecer firma de cartorário, enquanto os aposentados necessitam, todo ano, provar que estão vivos. Tudo isso decorre da ausência de referências éticas, morais e de credibilidade nas instituições. A impunidade ganha corpo, estimulando a violência e a banalização do crime. Perdemos a noção de valor humano e as novas gerações sequer têm consciência dos direitos e deveres no exercício da cidadania.

Matar uma pessoa para roubar um relógio ou R$ 10,00 que ensejam uma pedra de crack tornou-se comum, transformando ruas e ambientes familiares em cárceres do terror brasileiro, que mata cerca de 70 mil pessoas por ano, mais que a guerra entre judeus e árabes. O Brasil é líder mundial em número absoluto de homicídio. E no desespero prevalecem alternativas que fragilizam ainda mais a nação, como a redução da maioridade penal.

Quando se vê o Congresso Nacional aprovando leis e projetos contra o interesse da nação; quando se sabe que o presidente do STF conversa em segredo com a presidente da República sobre denúncias em processo de julgamento, e quando o executivo revela-se improbo e inseguro, torna-se lógica a conclusão de que a sociedade precisa assumir uma profunda reforma, a começar pelo voto consciente e protestos nas ruas, em busca do respeito que os três poderes lhe devem.

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