A era dourada do rádio paranaense*

Meu caro Célio: nosso país é ingrato em decretar aposentaria de gente dotada de grande saber em suas áreas de trabalho. E na comunicação essa realidade tirou do ar um monte de talentos como você, dono de bonita voz e imensa capacidade de escrever a história presente. Acabo de ler seu brilhante comentário sobre o livro do Renato Mazânek. Emocionado estou e lamentando mais não ter podido ir ao badalado lançamento abraçar Renatão e tantos outros amigos dos bons tempos do rádio de Curitiba. Só amanhã é que receberei o meu exemplar, imagino “devorá-lo” de uma só vez. Bom fim de semana, Jair. P.S. 1. Você, que tem espaço num apreciado site, bem que poderia lançar a idéia de uma  reunião do pessoal de rádio e TV (gente acima dos cincoentões, sessentões, setentões, acho que até oitentões). Convoque Gilberto Fontoura, promoter desde o Clube Mirim da Rádio Guairacá para coordenar uma festa pra ninguém botar defeito. P.S. 2. Estou repassando seu artigo do livro de Mazânek para nosso sempre considerado Antunes Severo com a mensagem seguinte: convide Célio Guimarães para escrever semanalmente no site Caros Ouvintes, trincheira viva que serve de escola para os iniciados em comunicação.

A era dourada do rádio paranaense

Célio Heitor Guimarães*

Todos os amigos de Renato Mazânek estiveram no Palácio dos Leões, na segunda-feira 25/07, para abraçá-lo pelo lançamento de “Ondas média e curta sem delonga”, a mais recente obra memorialista de Renatinho. Só não foi quem não estava em Curitiba, como o nosso Zé Beto, ou apenas finge gostar do autor. Pois não sabem o que perderam. Marcou presença a maioria absoluta daqueles ainda vivos que fizeram ou viveram a época dourada do rádio paranaense. 

Estiveram lá, entre outros, Elon Garcia , João Feder, Ubiratan Lustosa, Candinho Gomes Chagas, Tônia Maria, Luiz Renato Ribas , Sérgio Luiz Pichetto, Álvaro de Tulio, Fritz Bassfeld, Rosemary Naumes, Antônio Cury, Ali Chaim, Chacon Júnior, Marcos Antonello, Laís Mann , Moacyr Gouveia, Aírton Batista, Rafael de Lala, Júlio Zaruch, Jean Feder, Gilberto Fontoura , Josué Pinheiro, Pedro Washington, Alexandre Lobo, Rubens Vandersen, Jonel Chede, Gilberto de Abreu Pires, Adair Krolow , Carlos Marassi, Rose Rogoski, Luiz Carlos Betenheuser, Dias Lopes, Vicente Mickozs, Claudete Rufino, Pedro Augusto Schwab , Julio Militão, Rui Cesar de Oliveira, Luís Renato Pedroso e até este ex-locutor que lhes escreve. 

Houve quem não foi, mas fez questão de mandar uma mensagem gentil e carinhosa a Renato, como o professor, jurista, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça e ex-radialista Milton Luiz Pereira. Assim como Jair Brito , Euclydes Cardoso e Átila Borges. Há quem afirme ter sentido a presença lá também de José Wanderley Dias, Ivan Curi, Aluízio Finzetto, Humberto Lavalle, Romualdo Ousaluk, Hélcio José, Alcides Vasconcellos, Nicolau Nader, Nagibe Chede, Lourival Portela Natel, Hamilton Correia, William Sade, Paulo César, Bilú Macedo, Moraes Fernandes, Mário Vendramel e de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela.

 “Ondas média e curta sem delonga” é uma obra preciosa. Um exercício memorialístico de encher os olhos e o coração. Mazânek pretendia narrar a passagem dele pelo rádio, mas acabou por contar não apenas a caminhada do rádio paranaense como a do próprio rádio como importante (o maior, sem dúvida) veículo de comunicação de massa e dos inventos que o precederam, como o telégrafo, o telefone e a galena. Fala de Morse, de Grahan Bell, de Maxwell, de Hertz, de Marconi e, sobretudo, de Landell de Moura, o padre gaúcho que teria sido o verdadeiro inventor da transmissão sonora sem fio, e de Lívio Gomes Moreira, o pai do radioamadorismo. Registra a noite que Romualdo Ousaluk aterrorizou Curitiba, a vez em que o Hélcio José se tornou o “repórter-voador” ao atravessar a Av. Luiz Xavier sobre um cabo de aço, o dia em que o mesmo repórter entrou no Vaticano vestido de padre, a descoberta de um irmão de Fidel Castro criando galinhas em Antonina e até a ocasião em que o autor deu autógrafos em Maringá como Mickey Rooney. Tive a honra de escrever uma das orelhas do livro de Renato Mazânek e encerro este registro com a mesma afirmação com que encerrei aquele texto: “Ondas média e curta sem delonga” é a mais completa resenha do rádio paranaense, indispensável para os pioneiros de ontem, para os jovens estudantes de hoje e para os pesquisadores de amanhã. Quem não foi ao Palacete dos Leões agora terá de ir a uma das Livrarias Curitiba**. E fará, com certeza, bom proveito.

* Célio Heitor Guimarães: Jornalista e advogado, lapeano com orgulho, atleticano e avô.

** Em Santa Catarina você encontra nas Livrarias Catarinense, embora seja a mesma empresa, aqui esse é o nome fantasia.

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