A esquerda reina, e direita governa?

Faço divagações. A dureza da vida sugere recreios de quando em quando. Desanuviam. Às vezes o recreio pode se tornar a melhor parte da vida; no Ginásio Três Mártires, em Palmeira das Missões, nada era melhor do que o recreio, embora a bronca por causa dos danos no guarda-pó. Faz parte.

Divago e indago: o Brasil vivencia algo extraordinário fruto de como a história é criativa e a dialética produtiva ou tudo não passa de exemplo de como podemos ser patéticos apesar das lições que o tempo transmite diuturnamente? A ficha está por cair.

Tal dúvida não tem a profundidade do “ser ou não ser” de William Shakespeare, mas se enquadra no contexto dos fatos tupiniquins que nos assolam. Talvez tenha certo cheiro da sentença “o rei reina, não governa” do estadista Adolphe Thiers repetida à exaustão após seu autor a utilizar no século XIX para destruir Carlos X da França, cujas tendências absolutistas terminaram com seu destronamento.

Parêntese: o rei continuou gordão, comendo do bom e do melhor, fazendo sexo geral, mandando e desmandando na criadagem do Palácio, continuou com sua empáfia, com aqueles trajes exuberantes, sentado num trono de ouro, prosseguiu com o beija-mão, mas um cara, com aparência desmilinguida, cuidava dos reais interesses do reino.

Fecho parêntese e lembro, por oportuno, que levo chumbo quando questiono que significado pode ter hoje em dia os rótulos de esquerda e de direita. Minha mente anda confusa, pois não sei distinguir uma coisa da outra. Os chegados provocam: como ficar confuso entre quem representa o bem (esquerda) e o mal (direita)? Admito, minhas limitações. E tudo fica mais confuso quando olho para o que acontece em Brasília.

Assim, só para finalizar da divagação e baseado no que dizem intelectuais que aplaudem o Partido dos Trabalhadores, aquilo que expressam seus políticos e militantes radicais faço de conta que “esquerda” e “direita” ainda tem aquele significado que, por exemplo, nos colocou na rua nos anos de 1960. Combinado?

Então, com tal bússola, volto ao momento extraordinário que vivencia o amado Brasil. Quando superamos a ditadura de direita, veio um governo de transição a meia boca entre extremos com Sarney (incensado à esquerda e à direita) por causa da morte do Tancredo (ainda teve Collor/Itamar). Só depois com FHC e, para orgasmo geral, com Lula, finalmente a esquerda brasileira estava no poder. Certo?

Eis que, no instante de completar 20 anos de mando das “esquerdas”, surge a perplexidade que levou a esta divagação. O que de real ocorre nesse jogo entre a tal de “esquerda” e a tal de “direita”? Diante do caos edificado sem força poderosa de oposição agisse contra a “esquerda”, essa “esquerda” entrega o governo para a direita?

Pacto bonito em nome do interesse maior do povo brasileiro? Óbvios aplausos! Claro, com sua história a “esquerda” não podia simplesmente sumir do palco da vida apesar das embromações perpetradas. Por isso foi elaborado o novo pacto: a “esquerda” reina com toda pompa e circunstância que caracteriza um reinado que se preze com toda a entourage do PT e a “direita” governa com Joaquim Levy?

Pano rápido!

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