A estratégia de governar pelo voto

Estamos, como brasileiros de todos os rincões, diante da frustrante e maravilhosa oportunidade de governar pelo voto. Amanhã, 7/10, o País elege prefeitos e vereadores para mais quatro anos de governabilidade da mais importante instância do poder no regime democrático. Deveria ser assim. Não é. E a culpa é nossa. Começamos errados lá nos primórdios do sistema democrático permitindo (e gostando) a existência de partidos com proprietários. E agora não temos como indicar os melhores nomes porque a escolha é uma imposição dos donos dos partidos que, por sua vez, buscam assegurar garantias de manutenção no poder às suas gangues. Nem dá para afirmar que haja exceções, infelizmente.A apropriação do poder no Brasil não se dá pelas urnas, se dá pela escolha dos candidatos. A não participação da sociedade nos partidos políticos leva os partidos a impor à sociedade quem eles queiram eleger. E a sociedade fica no desespero de ter de optar pelo menos ruim.

Dentre todos os candidatos, observe, por favor, aqui com raras exceções, o que se vê são discursos imediatistas destinados a garantir-lhes a vitória só. Eles não buscam outra coisa. Eles não oferecem uma estratégia governamental ao município. Eles querem o poder pelo poder. Os candidatos, em quase 100% de acerto, querem este mandato pensando no próximo. A eleição de vereador e de prefeito se tornou trampolim para o próximo mandato, enquanto a cidade não sai deste “apagar de incêndios”, pois todos eles são bombeiros e não generais estrategistas.

A melhor proposta surgida nestes 30 anos de retomada das eleições em todos os níveis, no Brasil, foi o orçamento participativo, mas esta modalidade sofreu dois golpes contra sua efetividade: o partido autor mostrou-se o pior dono do poder quando lá chegou (também porque era um partido que tinha e tem dono) e também porque a participação social nos comitês de planejamento participativo foi parcial e a representatividade caiu e novamente o resultado foi um orçamento elaborado por alguns donos do poder.

Confesso-me decepcionado com o modelo. Não quero continuar escolhendo o menos ruim, mas não vejo outra alternativa enquanto eu e você não pudermos indicar nomes para concorrer, no mínimo para prefeito e vereador, que é onde tem começo a estrutura do poder. O partido que tiver mais vereadores e prefeitos, pela atual estrutura, em tese, tem nas suas mãos, os poderes do Estado e da Nação. O envelhecido e decrépito PMDB nos mostrou que esse é o caminho, ao menos para este sistema em que à maior bancada legislativa, para começar, se dá o maior tempo de rádio e TV.

Minha opção, neste pleito, será votar em alguém de quem, no mínimo, eu possua o número de seu telefone para poder xingar e influir em algo que seja pelo bem de todos, na tentativa de brecar o festival de paliativos governamentais; eles só servem para garantir-lhes os próximos mandatos.

Se você, eleitor, tiver como fazer melhor, faça. Fale, denuncie, mude, faça.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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