A Farsa

Memória | Capítulo 19 1990, ano da Copa do Mundo.
Eu estava no aeroporto, em São Paulo, junto com a equipe do Lombardi Júnior, à espera do vôo que nos levaria para a Itália. Dessa vez eu resolvera ir também, e havia bolado um programa para apresentar em parceria com o Léo Pereira, ao qual demos o título de “O OUTRO LADO DA COPA”.
A hora da partida estava chegando e nada de aparecer o Tisca, um empresário que iria junto com a equipe e que não conhecíamos pessoalmente. Lombardi estava com as malas do retardatário e, nervosamente, conjeturava sobre o que fazer com elas caso seu proprietário não chegasse a tempo.Já em cima da hora o Tisca chegou. Um pouco afastados da gente, ele foi perguntando ao Lombardi Júnior quem era cada um dos componentes da equipe com a qual seguiria viagem.
Quando se aproximaram de nós, o Tisca só faltou me beijar a mão, passando a me tratar com um respeito exagerado, causando estranheza a todos nós. Em certo momento, enquanto ele foi ao banheiro, o Lombardi nos contou que quando ele quis saber quem eu era, disse-lhe o seguinte:
– Aquele é o nosso chefe, diretor da Rádio. Chama-se Ubiratan.
O Tisca, lembrando que a Rádio Clube Paranaense pertencia a uma entidade católica, indagou:
– Ele é padre?
Um tremendo gozador, Lombardi não perdeu a oportunidade e disse que eu era um arcebispo.
Os outros, sabendo da malandragem, passaram a me chamar de arcebispo e a me tratar com excessiva cerimônia. E assim viajamos.
Já na Itália, em Turim, meu título foi adaptado à situação, e traduziram a minha falsa dignidade para o italiano, passando a me chamar de “arcivéscovo”. Acompanhando a onda eu fui interpretando o meu papel e o Tisca acreditando e me tratando quase com veneração. Dei conselhos, recomendei orações e aí, em conluio com a turma, comecei a preparar o Tisca para uma confissão. Iríamos saber quais eram os pecados do Tisca. A farsa estava para acontecer quando o Lombardi, preocupado com as possíveis consequências, cortou nosso barato e contou tudo para o Tisca. Acabou nossa folia.
Revelando espírito esportivo, a vingança do Tisca foi ficar me chamando de “arcivéscovo” perto de estranhos, o que me dava um baita trabalho, pois a toda hora eu tinha que dar explicações para as pessoas. E não pude ouvir a confissão do Tisca

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