A fascinação dos programas de perguntas e respostas chega ao rádio depois da TV

A década de 1950 chegou ao Brasil exibindo sua porta-estandarte magistral: a televisão, luminosa e brilhante na telinha carregada de sonhos e mistérios.

Antunes, Francisco Mascarenhas anuncia as regras do programa para o concorrente, pianista e maestro Mirandinha que respondia sobre Franz Liszt

Antunes Severo, Francisco Mascarenhas e o concorrente, pianista e maestro Mirandinha, que respondia sobre Franz Liszt

Potencialmente poderosa, a televisão propiciava a transmissão do som em ondas que andavam na velocidade da luz, a imagem que se movimentava por canais físicos e os tipos móveis que atraiam leitores de todas as classes.

Antunes recebe a concorrente Beatriz Moellmann

Antunes recebe a concorrente Beatriz Moellmann

Espanto, pânico, tumulto, fascinação? Tudo isso e mais um pouco, segundo os arautos do bem e do mal.

Na real, porém, uma nova oportunidade. Principalmente para os empresários da comunicação: donos de jornais, revistas e emissoras de rádio.

Os leitores de livros, revistas, jornais, até saudaram a nova donzela; os ouvintes de rádio se sentiram felizes, pois que além de ouvirem, também podiam ver seus ídolos. E todos, curiosos e sonhadores, saudaram o surgimento do novo meio de comunicação.

Todos é força de expressão. Uma boa parte dos anunciantes, mais imediatistas – pois que sempre os há – logo perceberam que teriam de aumentar suas verbas publicitárias para estarem presentes na casa e na mente dos consumidores.

Os demais empresários que só lidavam com jornal ou rádio, ou mesmo com as duas mídias, ficaram de olho para ver no que dava a novidade.

Na prática, o impacto maior foi para os proprietários de emissoras de rádio que viram seus maiores anunciantes migrar para a televisão – ou TV como passara a ser chamada. E veio a reação.

Assis Chateaubriand, proprietário dos Diários e Emissoras Associados que já trouxera o modelo de televisão dos Estados Unidos para o Brasil, foi buscar a solução para o rádio na mesma fonte.

Antunes e a candidata Leatridce Moura Ferro que responde sobre o poeta Castro Alves

Ao lado de Antunes, a candidata Leatridce Moura Ferro responde sobre o poeta Castro Alves

Por volta de 1955, um dos maiores sucessos do rádio e da TV dos Estados Unidos eram os programas de perguntas e respostas. Lá brilhava, por exemplo, o show televisivo The $ 64,000 Question, da Columbia Broadcasting System que serviu de base para o lançamento, do programa “O Céu é o Limite”, na TV Tupi, de São Paulo, também de propriedade de Chateaubriand. Da televisão para o rádio foi uma questão de simples adaptação de linguagem.

A experiência observada pelos atentos profissionais da Rádio Guaíba de Porto Alegre lançaram programas semelhantes estimulando a concorrência na Capital gaúcha. Isso era 1957.

A “febre” veio bater em Santa Catarina no final do mesmo ano quando a direção da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis foi contatada pelo pessoal da Rádio Tupi de São Paulo com o objetivo de ter um “Céu é o Limite” produzido e gerado pela equipe da emissora catarinense.

Francisco Mascarenhas, diretor da Rádio Diário da Manhã foi a São Paulo e voltou com a orientação de produzir e apresentar um piloto para análise da equipe de produção do programa que já fazia sucesso na Rádio Tupi de São Paulo.

Mascarenhas cuidou ele mesmo da produção: roteiro, perguntas, convidados, apresentador e contratação do auditório do Teatro Álvaro de Carvalho (TAC). Na época a Rádio Diário da Manhã contava com seis apresentadores: Antunes Severo, Carminatti Júnior, Edgard Bonassis, Francisco Mascarenhas, Gustavo Neves Filho e Souza Miranda.

Convidado a fazer o teste fui (Antunes Severo) o indicado para apresentar o show-demonstração. Duas semanas depois, com a presença de três integrantes da equipe de produção do programa em São Paulo, mais o representante do patrocinador, lá estávamos no palco do TAC para o grande teste.

Francisco Mascarenhas escalou a dedo locutores para fazer a abertura do show e ler os comerciais nos intervalos, convocou o Conjunto Musical RDM para fazer os efeitos sonoros ao vivo, como era costume nas grandes emissoras de São Paulo e Rio de Janeiro, os candidatos a concorrer à premiação de “O Céu é o Limite”, também compareceram para dar autenticidade ao show.

Às 20 horas, ‘abrem-se as cortinas e começa o espetáculo’, como dizia Fiori Gigliotti.

No final dos sessenta minutos de programa, sob os aplausos da plateia, encerra-se o teste com o anúncio de aprovação e a informação de que “Sob os auspícios da Real-Aerovias, a Rádio Diário da Manhã de Florianópolis estava autorizada a apresentar o programa já a partir da semana seguinte, através de suas emissoras de ondas médias e curtas para todo o Brasil.

Antunes, ‘aeromoça’ Jussara e candidato Fernando Olavo Sthiago que responde sobre Cinema

Antunes, ‘aeromoça’ Jussara e candidato Fernando Olavo S. Thiago, que responde sobre Cinema

Antunes anuncia pergunta ao maestro Carmelo Prisco que responde sobre Música

Antunes pergunta ao maestro Carmelo Prisco sobre Música

1 responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] A fascinação dos programas de perguntas e respostas chega ao rádio depois da TV […]

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *