A fé move montanhas e pode cavar sepulturas

Não poucos tiveram um 2012 tenso com a previsão de que o mundo acabaria conforme inscrição no calendário da extinta civilização Maia. O medo segue, restam dois meses para um alivio geral, pois é grande número de quem não crê nos desmentidos. A descompressão virá, mesmo, só à meia noite do dia 31 de dezembro. Não é de hoje que nos angustiamos com a possibilidade do fim de tudo. E poucas coisas geram mais conflito, reações raivosas (principalmente se Deus entrar em pauta) do que duvidar de quem não duvida disso.Além das previsões de Nostradamus e das citações em livros sagrados sobre o fim dos tempos a humanidade tem se esmerado na geração de intranquilidade, sempre adubando nosso medo e nossa ignorância. As armas nucleares e a tese do aquecimento global antropogênico, por exemplo, mantém de plantão e sempre refrescada a tese do fim do mundo. Claro, com os espertalhões tirando bastante proveito desse caos mental.

Até prova em contrário o aquecimento global antropogênico não nos levará para o beleléu e só voltaremos a acreditar nele depois que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU recuperar sua credibilidade arranhada com as denúncias do “climagate”. O que não dá tranquilidade, pois Planeta estaria esfriando conforme estudo de meteorologistas alemães. E o esfriamento, dizem, é mais nefasto do que o aquecimento. Em todo caso precisamos tempo para saber se a coisa vai ser muito quente, o que é ruim, ou muito fria, o que é pior.

Assim, do jeito que a ciência evolui, o perigo está mais perto do que supomos. Não vai longe e montar arma de destruição em massa só dependerá de kit básico a ser pedido via internet (sem força de expressão). Nessa hora quem nos meterá medo, mesmo, serão as pessoas de fé inabalável, dessa fé que move montanhas. Nada de estranho, pois é a mesma fé que já cavou número descomunal de sepulturas na história da humanidade.

Para ilustrar, fiquemos com um homem de fé, temente a Deus que segue ao pé da letra o livro sagrado, pois crê que ele é manifestação direta do seu Deus. Esse homem pegou a Bíblia e lê Deuteronômio 13,12-16: “Quando ouvires dizer, de algumas das tuas cidades que o Senhor teu Deus te dá para ali habitar, que uns homens, filhos de Belial, que saíram do meio de ti, incitaram os moradores da sua cidade, dizendo: “Vamos, e sirvamos a outros deuses que não conheceis”; então inquirirás e investigarás, e com diligencia perguntarás; e eis que, sendo verdade, e certo que se fez tal abominação no meio de ti, certamente ferirás, ao fio da espada, os moradores daquela cidade, destruindo a ela e a tudo o que nela houver, até os animais. E ajuntarás todo o seu despojo no meio da sua praça; e a cidade e todo o seu despojo queimarás totalmente para o Senhor teu Deus, e será montão perpétuo, nunca mais se edificará”.

Outro homem, com as mesmas virtudes, lê sobre os incrédulos no Corão. Lê que eles são como animais, que são surdos, mudos, cegos e que sofrerão doloroso castigo. “Matai-os onde quer que os encontreis. Expulsai-os de onde eles vos expulsaram, pois o erro é pior do que a matança… (2, 191). Combatei-os até que não haja mais idolatria e que prevaleça a religião de Deus. Se detiverem sua hostilidade, detende-vos, exceto contra os iníquos” (2-193).

Para ter ideia aonde pode levar se seguidos ao pé da letra tais ensinamentos do livro sagrado dos cristãos e do livro sagrado do Islã basta ver o noticiário diário. De cara vamos preferir os Maias, ou o aquecimento ou até mesmo o resfriamento…

Ivaldino Tasca, jornalista [email protected]

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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