A força dos festivais

Pedi “um tempo” ao Capuchon para organizar, com Luiz Alves da Silva – Culica – o 2º FUCACA (Festival Universitário Catarinense da Canção), promovido pelo DCE da UFSC

[ Márcio Santos ]

Luiz Alves da Silva (Culica e eu)

Luiz Alves da Silva (Culica e eu)

O FUCACA teve continuidade em agosto de 1972 com sua segunda edição, desta vez sob a coordenação geral de Luiz Alves da Silva (Culica) e coordenação executiva minha, com a presença de Ivan Lins (que surgira num dos festivais da Record com a música “O Amor É O Meu País”) na presidência do júri, na grande final.

Para abrir um leque maior de opiniões quanto à escolha da classificação à final, montamos um grande júri, com destaques culturais na área de poesia e música, dentre os quais Pinheiro Neto, Gilberto Bittencourt, Zuleika Lenzi, Murilo Pirajá, Antunes Severo, Osmar Pisani, Darci Lopes, Mario Alves Neto, Lucinha Lins, Péricles Prade, por exemplo. Estes foram realizados no SESC da Prainha, destacando novamente elementos do grupo Capuchon, Eliana Taulois, Nelson Russi Wagner, família Raulino, Nagner Narley Mascarenhas.

O 2º FUCACA foi vencido pelo representante de Paranaguá, Francisco Trevisani com “Eta Mundo”; o segundo lugar ficou com Ariberto e Tanira Piacentini com “Decodificado”, o terceiro com “Almôndegas”, de Porto Alegre, o quarto com Vilmar Bernardo, o “China” com sua ”C de Cema” e o quinto com Luiz do Valle, Fernando Vieira e Bruce Riggenbach compondo ”Trecho Número Um”. Alan Braga foi o melhor interprete com “Meu Caso É Samba”, de Antonio Rodrigues.

As apresentações das composições concorrentes foram intercaladas com shows do “Band Show” e de “Deto, Tuca e o Som Nosso de Cada Dia”. Os arranjos para orquestra foram feitos pelo flautista e maestro Luiz Fernando, que conduziu a orquestra oficial.

Este festival foi um grande sucesso, tal e qual a edição anterior, dirigida por César Evangelista, o idealizador. O único incidente foi um empate entre duas músicas, que deveria ser decidido pela melhor letra, e que alguns componentes do júri queriam burlar para premiar a música catarinense “Decodificado”.

Ameacei pegar um microfone e contar ao público o que estava acontecendo, pois sempre prezei pela lisura da competição. Depois de muitas discussões, quando também ameacei pedir a opinião de Ivan Lins, o júri concordou com minha postura.

Um momento interessante foi quando o pessoal do Band Show da Policia Militar soube da presença de Toicinho, antigo baterista daquela banda, que retornara a Floripa depois de anos em São Paulo,; solicitaram sua presença no palco e ele, dentro de suas características, surgiu no meio do público já com duas baquetas, tocando nas costas das cadeiras, no assoalho do palco, até chegar à bateria e dar seu show, arrancando aplausos e risadas de todos os presentes.

Após o evento, solicitei um transporte para devolver alguns equipamentos, decoração, documentos, etc. para o DCE, não sendo atendido; dias depois, quando resolveram deslocar estes apetrechos, descobriram que os mais valiosos tinham sido roubados.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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