A Futura aposta no futuro

Culpar a internet pela baixa na audiência tanto da nova programação quanto da programação consagrada já é quase um chavão entre os executivos de TV e especialistas em mídia no Brasil.Quedas de mais de 20% tem sido uma freqüente nas semanas posteriores à estréia de qualquer programa e a grade tradicional tem perdido audiência ano a ano, salvo raras exceções.

Segundo dados do site MiniNova, uma das referência na internet quando se fala em encontrar conteúdo de vídeo, a 3ª temporada de Heroes – série da rede americana NBC que no Brasil é transmitida pelo Universal Chanel – bateu todos os recordes, ultrapassando 10 milhões de  downloads em apenas 10 dias. Sendo que 92% dos downloads foram originados de fora dos Estados Unidos, em locais onde a terceira temporada da série demoraria semanas ou mesmo meses para ser transmitida pelas emissoras locais.

Colocando de lado, ao menos por um breve momento, as questões éticas e legais sobre o download de programas de TV e enxergarmos além das disputas sobre propriedade intelectual e copyright, veremos que a internet, na verdade, tem o potencial enorme de ampliar audiência de qualquer programa. Veremos também que mais relevante do que a grade é o conteúdo, pois hoje com a ajuda da tecnologia, os telespectadores podem assistir ao que quiserem na hora  que quiserem, e em breve em qualquer lugar, levando às vias de fato o slogan da Microsoft de 1999 para sua linha de sistemas portáteis. Any place, any time, any divice.
O que estes números nos mostram é um panorama que não tem mais volta e que pode ser muito proveitoso para quem estiver apto e disposto a investir na integração cross media. E foi isto mesmo que o canal Futura fez.

No site Futuratec, a emissora não só disponibiliza sua programação como também ensina, de maneira simples e didática, como fazer o download e gravar em um DVD os arquivos da programação, para que possam ser assistidos na TV e não no computador, pois como já foi demonstrado em um estudo realizado pela rede americana CBS, as pessoas gostam mais de assistir seus programas na TV que em seu computador.
Esta mesma pesquisa também demonstrou algo bem interessante, 35% dos pesquisados sentem-se mais atraídos a assistir a um programa na TV depois de encontrá-lo online. E menos da metade assistem somente online.

Só não ve quem não quer. Colocar a programação na rede só potencializa a formação de audiência. Ok, mas e os comerciais? Grande responsável pela receita das emissoras, os comerciais e as agências têm que se adaptar a esta nova realidade. Quem já teve a oportunidade de assistir ao CQC, na rede Bandeirantes, deve ter percebido como é interessante a forma como eles fazem merchandising. A fórmula é bem integrada ao programa e a sua linguagem. Nada de menina bonitinha segurando a caixa de Alisabel enquanto o apresentador narra as benesses do produto.

Investir na integração parece ser a lição que o Futura quer nos ensinar. No último dia 12 de outubro eles fizeram uma transmissão experimental onde as crianças puderam participar da programação via webcam ou enviando desenhos, fotos, histórias e vídeos a partir de diversos pontos na cidade montados pela emissora, ou de casa mesmo. Tudo transmitido ao vivo e por meio do site do programa Cambalhota.

A moral desta história é que quem continuar a reclamar da internet vai continuar a perder audiência, quem estiver de mente aberta, e pronto para a mudança irá colher muito em breve os frutos desta nova forma de pensar televisão, não mais como grade, sinal e ibope, mas como conteúdo, integração e interação entre meios, bons exemplos não faltam, tecnologia barata e disponível também não. O que falta então?

Dicas do blog do Thiago Dória

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