A gravação misteriosa de Alcides Gonçalves – 2

Conforme havíamos prometido em nosso comentário anterior, damos continuidade a essa surpreendente descoberta no acervo do estimado amigo Paulo Bastos, a qual foi objeto de entrevista minha com o comunicador Glênio Reis, no programa Sem Fronteiras da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre.
Por José Alberto de Souza

Os áudios apresentados na semana passada foram Alto do Bronze (faixa 1) e Porto dos Casais (faixa 5), duas canções consideradas símbolos da capital sul-rio-grandense.
Para que se tenha uma idéia do ineditismo dessas gravações, nem mesmo o consagrado autor desse Porto dos Casais, Jayme Lewgoy Lubianca, tinha conhecimento da existência de tal registro fonográfico.
Outro dos autores das músicas constantes naquela gravação, já referido no texto anterior, Alberto de Bastos Canto, também desconhecia o ocorrido e quase chegou a se irritar por não terem pedido autorização para tanto, pensando até que fosse alguma armação do seu amigo Lubianca, o que de pronto contestei.
Mas falávamos dos instrumentistas que haviam participado daquela gravação e conseguimos confirmar as presenças do flautista Plauto Cruz e do pandeirista Azeitona, aos quais procuramos ouvir pessoalmente.
Segundo Mestre Plauto, pressupõe-se ainda que Jessé Silva (violão), Peri Cunha (bandolim), Clio Paulo (cavaquinho) e Nadir (trombone de pistos) tenham atuado nessa performance, o que não consegui comprovar por já terem falecido os três primeiros e não saber do paradeiro do último.
Porém, a grande interrogação segue persistindo na faixa 4, autêntica Incógnita, sem denominação e autor.
A princípio, pensamos tratar-se de composição do próprio Alcides Gonçalves e chegamos a procurar o casal Lourdes Gonçalves (irmã) e Paulo Sarmento Filho (cunhado), os quais não tinham certeza dessa autoria.
Posteriormente, entramos em contato com a cantora Maria Lúcia, filha do famoso chargista Sampaio, irmão do outro chargista Sampaulo, já falecido e citado naquela canção (para o Sampaulo colorir).
Maria Lúcia mostrou a música para o seu pai – que não a reconheceu – tendo este apontado como prováveis autores ou Hamilton Chaves ou Glênio Peres, ambos já de saudosa memória.
Conseqüência dessas minhas andanças para desvendar o fantástico, ficou o inesperado encontro com o autor de Rua da Praia (consagrada na voz do outro Alcides, o Gerardi) e talvez a derradeira visita que recebeu essa ilustre figura – Alberto do Canto – cuja obra está aí para ser resgatada.
Nessa ocasião, fomos brindados com a fita do 1º Concerto de Música Popular Riograndense, cortesia do autor, tendo Deise e Ary Rego como locutores e Otavinha, Lea Betine, Gildo Lima e Beto Morgado como cantores, na qual foram registradas suas músicas Sangue Açoriano, Praça da Matriz, No Tempo de Otávio Dutra, Praça XV, Rio Guaíba e Rua da Praia (lado A), Marica, Chimarrão, Cidreira, Alma de Bravo e Falso Gaúcho (lado B).
Fecha e abre parênteses, um pequeno desvio de assunto, isto já é uma sugestão de pauta para apresentar na íntegra o espetáculo gravado na nova fase de Caros Ouvintes, caso haja interesse manifesto do seu grande público.
Mais uma vez, lembramos que neste ano, se vivo fosse, Alcides Gonçalves estaria completando 100 anos de idade, de vez que nascido em 1º de outubro de 2008, em Pelotas-RS, deu-se o seu passamento a 9 de janeiro de 1987, em Porto Alegre-RS, efemérides essas que merecem registro em nossa memória musical.
Quem sabe, através dessa modesta exposição, alguém possa esclarecer-nos com dados adicionais?
De maneira que, finalizando, só nos resta apresentar a interpretação de Alcides Gonçalves para duas composições de Alberto do Canto nesta Gravação Misteriosa, a saber:
Links Relacionados
:: Faixa 2 – Cidade Baixa
:: Faixa 6 – Praça XV
 


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