A gravação misteriosa de Alcides Gonçalves

Em nosso comentário de 21/01/2008, sobre a sentida ausência do nosso querido amigo Alcides Gonçalves, havíamos anexado dois áudios de uma gravação misteriosa, em antigas fitas de rolo que descobrimos no acervo do companheiro de noitadas inesquecíveis – Paulo Antônio Coimbra Bastos – grande cantor apenas conhecido daqueles mais íntimos, assim evitando o grande público.
Por José Alberto de Souza

De posse de tais fitas, recorri ao técnico Paulo Roberto, da gravadora ACIT, aqui de Porto Alegre, a fim de copiá-las em CD. E qual não foi nossa surpresa ao ouvirmos aquele som impecável provindo da aparelhagem fonográfica. Seria algum programa de rádio reproduzido através de alguma gravação doméstica? Ou alguma cópia de um acetato desconhecido, quem sabe, alguma mensagem do além? Nem mesmo o próprio Paulo Bastos conseguiu explicar-me a origem dessa peça do seu acervo.
Aí então me coloquei em campo para investigar autores, instrumentistas e nomes das músicas ali contidas.
As vozes foram de pronto identificadas sob a chancela de Alcides Gonçalves, com exceção de uma faixa onde se distinguia Lupicínio Rodrigues cantando Minha Cidade, música e letra de sua autoria.
Algumas pessoas chegaram a me apontar Alberto do Canto, o famoso compositor da antológica Rua da Praia, uma das canções símbolo de Porto Alegre.
Em contato telefônico com essa magnífica personalidade, ficamos sabendo estar impossibilitado de receber os amigos, recolhido que estava em sua residência devido a uma moléstia degenerativa.
Então me comprometi a enviar essa gravação pelo correio para que fizesse o reconhecimento.
Posteriormente, tornei a ligar para Alberto do Canto, dizendo que colocaria pessoalmente esse pacote em sua caixa postal por localizar-se a sua moradia próxima da Agência dos Correios, no Menino Deus.
Assim cheguei à sua casa, encontrando o portão da rua aberto, e fui subindo a escadaria de acesso, bati na porta e eis que ele me atende pessoalmente, movimentando-se em sua cadeira de rodas.
Extremamente atencioso, recebeu-me cavalheirescamente, quando lhe entreguei o disco prometido.
Assim, comecei a montar o quebra-cabeça daquela gravação misteriosa que até ele desconhecia:
Faixa 1 – Alto da Bronze (Paulo Coelho/Plauto Azambuja) *;
Faixa 2 – Cidade Baixa (Alberto do Canto**) *;
Faixa 3 – Minha Cidade (Lupicínio Rodrigues**) ***;
Faixa 4 – Incógnita (autor desconhecido) *;
Faixa 5 – Porto dos Casais (Jayme Lubianca**) *;
Faixa 6 – Praça Quinze (Alberto do Canto**) *;
Faixa 7 – Correio do Povo (Alberto do Canto**) *.

Obs.: * interpretações de Alcides Gonçalves; ** letra e música; *** interpretação de Lupicínio Rodrigues.
Faltava, porém, identificar os instrumentistas, de que me vali consultando os veteraníssimos músicos Plauto Cruz (flauta), Darcy Alves (violão), Lúcio do Cavaquinho (já falecido), Valtinho (pandeiro) e o seresteiro Ademar Sílvio.
Plauto Cruz foi o único que se acusou como participante daquela plêiade, inclusive adiantando-me ter sido gravada no Studio Artflex, antigamente localizado no centro da nossa Capital.
Também o pandeirista Azeitona nos confirmou ter integrado esse Regional.
Como ainda temos mais alguma coisa a contar, deixamos a continuação para a próxima semana.
Por hoje ouça estas duas “misteriosas”:
:: FAIXA 1 ALTO DA BRONZE
:: FAIXA 5 PORTO DOS CASAIS
 


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