A propaganda em Santa Catarina passa pelo brilho da Propague

Roberto Costa é um porreta, diria um baiano. Afinal, foi na Bahia que a veia do publicitário despontou.

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Foto Divulgação

De lá, o estudante de engenharia da UFSC, líder estudantil da época, trouxe uma ideia que se transformou no Escrache Bar, no subsolo do DCE Diretório Central dos Estudantes, na rua Álvaro Ramos.

Inusitado, com uma geladeira pintada por Rodrigo de Haro e Martinho de Haro, o bar atraía gente de diversas tribos.Certa vez, Roberto recebeu um convite do publicitário Emílio Cerri que prometeu o mundo para que ele fosse trabalhar na Propague. Vendeu o bar. As limitações financeiras fizeram com que Roberto fosse demitido poucas semanas depois.

Mas foi recontratado no mesmo dia para cuidar da parte administrativa. Daí, instalou-se em Blumenau para fazer a Propague prosperar por lá.Certa noite, na casa do poeta Lindolf Bell, Roberto trajava calça jeans e camiseta para espanto da sociedade blumenauense que usava paletó e gravata.

Agressivo, conquistou naquela noite a conta da Hering.De volta a Florianópolis, virou sócio da Propague. Mais tarde, tornou-se o único proprietário após ter recebido um telefonema de uma mulher com voz cavernosa.

Primeiro ela perguntou por um sócio e depois pelo outro. Como pelo adiantado da hora ambos haviam saído, a misteriosa emendou: e o que tu estás fazendo aí essa hora, seu trouxa? Do outro lado da linha estava sua mulher, Lena.

A Propague, premiada em Londres e Nova York e com braços em São Paulo é conhecida e respeitada como uma espécie de patrimônio dos catarinenses. Nestes 53 anos, a empresa sempre foi proativa, prevendo, acompanhando e ditando tendências. “A comunicação mudou. Nossa visão é influenciar comportamentos.”

Hoje, o guarda-chuva da Propague abriga vários núcleos integrados, como o de varejo, digital, trends, branding e promo, explica Roberto.Fácil conversar com esse mago da propaganda. Difícil resumir 53 anos de histórias deliciosas em tão pouco espaço. A nossa entrevista teve dois tempos. No primeiro, deliciamo-nos com o passado.

No segundo, divertimo-nos com o futuro. Tudo no tempo presente, como a propaganda feita por eles para incentivar a doação de órgãos que a televisão veicula. Mostra um doente, supostamente, terminal desacatando os parentes em volta da cama até o médico dizer que o problema do paciente resumia-se a gases.

A campanha aumentou 72% os doadores.Listar os clientes é bobagem. Melhor perguntar quais das empresas conhecidas ainda trabalharam com a Propague.A Propague e Roberto Costa são nossas coisas, são coisas nossas.

(Autor Paulo de Tarso Guilhon, Publicado por ND, 09/02/2015)

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