A história de O Estado, que é parte da história de SC

A jornalista e professora Leani Budde lança seu livro “Jornal O Estado – Da Glória à Decadência” (1915-2009), um dos estudos mais densos da história de O Estado. O jornal é parte da história da cidade, da paisagem urbana e humana de Florianópolis.

Capa do Livro

Foi, até a década de 1980, referência obrigatória em qualquer círculo social, político, cultural ou econômico. Quando Zininho fala no Rancho do Amor à Ilha sobre a “ilha da velha figueira / onde em tarde fagueira / vou ler meu jornal” ele diz um pouco de O Estado e da sua importância para aquela província (o hino é de 1965).

Gerações e gerações de florianopolitanos assinaram e leram O Estado. O jornal tinha um vínculo muito estreito com sua gente, com as causas da terra. Embora com maior circulação na Grande Florianópolis, O Estado chegava aos mais distantes municípios catarinenses, mesmo nuns tempos em que as estradas eram precárias. Teve pelo menos oito sucursais espalhadas pelo território estadual, cobrindo todas as regiões: Itajaí, Blumenau, Tubarão, Criciúma, Lages, Rio do Sul, Joinville, Chapecó. Em cada sucursal pelo menos um ou dois repórteres, gerente comercial e de assinaturas, secretária, automóvel.

Era uma estrutura gigantesca, que começou a se esvair na década de 1980. Até 1986 o jornal reinava sozinho em Florianópolis, tendo concorrentes fortes apenas em Blumenau (Jornal de Santa Catarina) e Joinville (A Notícia). A chegada do Diário Catarinense (RBS) naquele ano, em outro formato (tablóide) e com uma estratégia empresarial predadora, começou a mudar esse panorama. O Estado continuou sendo um jornal analógico até 1996, quando foi implantada a total informatização de seus processos. Foi um longo tempo perdido – 10 anos, entre a chegada do DC informatizado e a presença dos computadores em todas as áreas do “mais antigo”. Tempo precioso, que fez a diferença em favor da concorrência. Entre 1996 e 2000 O Estanho definhou lentamente. Entre 2000 e 2009 manteve o que se chama de “circulação técnica”, ou seja, apenas o essencial para se manter vivo, até que a empresa não resistiu mais, envolvida em dívidas trabalhistas e previdenciárias impagáveis.

Acompanhei 10 anos dessa história, fui repórter, editor, chefe de redação, colunista, editor-chefe. Devo muito a O Estado, a grandes mestres com quem convivi: Toninho Kowalsky, Sérgio Lopes, Cesar Valente, Laudelino José Sardá, Luiz Henrique Tancredo, Mário Pereira. E a dezenas de colegas com quem  aprendi muito.

Publicado originalmente em Notícias do Dia Florianópolis.

Categorias: Tags: , ,

Por Carlos Damião

Carlos Damião é jornalista e poeta e atualmente edita no jornal Notícias do Dia de Florianópolis a seção Ponto Final, basicamente com temas ligados à cultura da Grande Florianópolis. Como radialista atuou até recentemente com apresentador de programas jornalísticos nas rádio Guarujá e Record Santa Catarina de Florianópolis.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *