A história do Museu do Rádio de Santa Catarina

Na conclusão de seu trabalho, Cirley Virgínia Ribeiro escreveu: “O que me angustia depois de tudo isso é não ter a certeza de que o Museu será continuado.

Janine Silva *

Ilustração do anúncio publicado nos jornais de 1985

A história do Museu do Rádio começa em 1982, quando a ex-aluna do curso de Comunicação Social, hoje Jornalismo, da UFSC, Lúcia Helena Vieira, desenvolveu o projeto de pesquisa “A história do rádio catarinense na voz de seus atores”. Foi esse trabalho que, em abril de 1984, inspirou Cirley Virgínia Ribeiro a pesquisar mais a fundo  a trajetória do rádio em nosso estado. Ela, que na época estava no fim de sua graduação – também em Comunicação Social na UFSC – fez da missão de recolher fotografias, fitas, equipamentos e de resgatar o material existente sobre os primeiros anos da radiodifusão em Santa Catarina o seu trabalho de conclusão de curso.

Realizar o “Projeto Memória do Rádio Catarinense” mostrou-se mais difícil do que o planejado por Cirley. Poucas emissoras mantinham arquivos e grande parte do material estava disperso, em posse dos personagens que ajudaram a compor essa história. Para reuní-los, foi planejada uma campanha publicitária que seria veiculada em emissoras de rádio e tv do estado, mas que acabou não acontecendo por falta de recursos financeiros. Mesmo assim, Cirley Virgínia recebeu o apoio da TV Barriga Verde, por intermédio do professor Antunes Severo, e de diversos jornais catarinenses que divulgaram o projeto e o pedido por doações.

Em cinco meses, a aluna entrevistou 34 radialistas e radiatores, conseguiu mais de 100 discos de vinil contendo trilha sonoras e radionovelas, equipamentos antigos usados na Rádio Clube de Blumenau, quase 400 fotografias, além de fitas e roteiros de radioteatro.

A  inauguração simbólica do Museu do Rádio de Santa Catarina aconteceu em 21 de março de 1985, com exposição do acervo, debate sobre o desenvolvimento e decadência do rádio catarinense e apresentação ao vivo da peça de radioteatro “Um crime perfeito”, de Gustavo Neves Filho, com a equipe que participou da transmissão original em 1962, na rádio Diário da Manhã.
Na conclusão de seu trabalho, Cirley Virgínia Ribeiro escreveu: “O que me angustia depois de tudo isso é não ter a certeza de que o Museu será continuado. (…) As promessas, propostas e interesses surgidos quinta-feira (dia da inauguração) não me iludem. Desde o início o projeto ganhou muitos simpatizantes e apoiadores, que na hora de assumir alguma responsabilidade souberam sair rapidinho”. O seu temor se confirmou e o Museu acabou morrendo junto com a saída de sua idealizadora do curso.
Mas hoje o “sonho” de Cirley renasce como projeto de extensão, coordenado pelo professor da área de rádio, Eduardo Meditsch, que foi o orientador da aluna. Composta por três estudantes que cursam entre a 2ª e 4ª fase do curso de Jornalismo da UFSC, a nova equipe do Museu do Rádio de Santa Catarina pretende dar continuidade ao trabalho que começou na década de oitenta e evitar que o passado da história radiofônica do estado torne-se mais uma vez “Mudo. Surdo. Cego.” Com as novas tecnologias e o poder de alcance da internet, a expectativa é vencer muitos dos obstáculos enfrentados em 1985. E o fato de agora ser um trabalho que não depende do esforço de uma única aluna às vésperas de sua formatura, reascende a esperança de torná-lo duradouro.

O Instituto Caros Ouvintes de Estudos de Mídia cedeu ao projeto um espaço em seu site para que, em todas as quartas-feiras, sejam publicadas matérias sobre o Museu e a história do rádio em Santa Catarina. Não deixe de acompanhar!
Até a próxima semana!
* Texto: Janine Silva, aluna da 4ª fase do curso de Jornalismo da UFSC e bolsista do projeto de extensão “Museu do Rádio e Santa Catarina”.

 

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