A Imagem no Rádio

“Meu Deus, ele é baixinho, gordinho e careca!”.
“Ele” era o principal galã das radio novelas. Tinha uma voz incrível e interpretação impecável. As mulheres suspiravam quando o ouviam.
Por Eloy Simões

Aí veio a decepção.
A decepção aconteceu quando a televisão surgiu. A imagem, aquela que povoava a cabeça das fãs se desfez. O príncipe virou sapo.
“Eu lamento o fato de que boa parte do mercado publicitário não entende exatamente o que é o rádio e nem suas inúmeras possibilidades. Quem trata o veículo dessa forma é porque não conhece a sua essência.”
Concordo em gênero, número e caso com essas declarações do Heródoto Barbeiro, dadas durante entrevista que Meio & Mensagem publicou recentemente (data de capa: 24 de julho de 2006, pág. 40).
De fato, quando se ouve o que é veiculado por aí, percebe isso. E quando  conversamos  a respeito com a maioria dos criativos e vê o trabalho deles para esse meio de comunicação, percebe o pouco caso com que o meio rádio é tratado. Faltam, efetivamente, atenção, interesse e conhecimento da sua linguagem.
Mas não concordo com outro trecho da entrevista.
Nele, Heródoto afirma:
“Acho muito ruim quando colocam para veicular no rádio o áudio versão feita para TV. Isso não é nada bom para o rádio, nem para o anunciante”. (Até aqui, tudo bem, mas daqui pra frente a coisa pega) “É preciso entender que os recursos utilizados para produzir um comercial para televisão são bidirecionais: imagem e som. No rádio o processo é unidirecional, ou seja, só há som. Dessa forma, a mensagem que deveria ser transmitida através da imagem fica perdida.”
Negativo.
O grande segredo do rádio é justamente fazer com que ele gere imagem… na cabeça do ouvinte. Nisso, ele é imbatível. A boa mensagem publicitária é envolvente, faz, no rádio, o consumidor viver a cena. E rir. E se emocionar. E sonhar. E chorar, se for o caso.
Lembra-se da antológica campanha Louco por Lee, veiculada no rádio há alguns anos? Aquela em que um homem, ao telefone, cantava a mulher ao mesmo tempo que vendia o produto?
Pois é
Fez tanto sucesso que a colocaram na TV. Resultado: fracasso total. Quando as consumidoras viram o homem, ficaram decepcionadas. Não era o príncipe príncipe que elas tinham na cabeça e no coração, era o sapo. Perdeu-se o encanto. O encanto que só a imagem gerada pelo rádio pode passar.
É como o Heródoto afirma: a propaganda no rádio está maltratada. Mas não porque ele não permite imagem, mas   porque anda faltando talento. E como!


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Por Elóy Simões

Começou no rádio, é jornalista, publicitário e professor universitário. Trabalhou em agências de propaganda de São Paulo, Rio de Janeiro, Carcas Santiago do Chile, Vitória e Florianópolis. Segue escrevendo em vários sites. É professor da UNISUL o Universidade do Sul de Santa Catarina na grande Florianópolis.
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