A língua solta

Alguns amigos se encontram e começam um desabafo – falar a coisa errada e para a pessoa errada. O primeiro diz:

– Eu estava cortando o cabelo de um rapaz e de repente passou um Chevette com o som ligado no máximo do volume. Olhei bem para o cliente e disse:

– Só tem maluco nesse bairro – O cliente disse meio sem jeito:

– É meu pai. Ele tem esse costume, tenho até vergonha de andar com ele.

O barbeiro pediu desculpa. Disse que não teria falado se soubesse que era seu pai.

Um amigo que ouvia isso disse:

– E eu então rapaz. Eu estava na borracharia e assim que o borracheiro acabou de trocar o pneu me ofereceu um café.

Nesse instante passou uma mulher do outro lado da rua e eu disse:

– Olha que “cavala”. O borracheiro falou:

– É minha mulher! – E ainda mandou um beijo pra ela. Eu queria desaparecer cara.

– E eu então – diz outro – Uma amiga lá na repartição disse que estava de namorado novo. Semana passada chegou ao lado de um rapaz e eu falei:

– Ah, esse é o teu filho?

Ela disse já toda vermelha:

– Não, não, ele é meu namorado. Meu filho está na faculdade.

Eu disse:

– Ah logo vi.

O último dos amigos desabafa:

– Pior fui eu pessoal. Eu ouvi que o Mario havia morrido. Pensei que fosse o Mario que veio a minha cabeça. Há três dias encontrei a mulher dele a abracei e disse:

– Sinto muito o que aconteceu. Ele era uma cara muito legal, vai fazer falta. Tu deves estar sofrendo muito, mas vai superar. Ele era um cara incrível. Você fez o seu melhor e ele deve estar num lugar melhor agora.

Ela saiu chorando. Só ontem fui saber que o Mario que morreu foi outro cara. O marido dela, o Mario, foi embora com outra.

Um dos amigos conclui:

– Valia mais é ser mudo.

Outro diz:

– Não fala besteira cara. Meu pai é mudo. É muito triste!

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