A mais antiga diferença

As diferenças entre os seres humanos são uma graça de Deus e a graça da natureza. Já pensaram se todos fossem iguais, o quão sem graça seria? Isso não impede que a criação tenha limitado suas “formas”, tanto que podemos encontrar pessoas muito parecidas em pontos diametralmente opostos do planeta. Será que alguém pulou continentes em vez de muros? Infelizmente, para alguns as diferenças são motivo de discriminação, “razões” para se acharem melhores do que os outros.
Quando isso fica restrito ao pensamento, pode ser inofensivo; mas quando faz parte da cultura de uma civilização e implica restrições ao que os “diferentes” podem ou não fazer, aí vemos que a humanidade ainda está bem distante de ser considerada racional.

Por isso cada superação de discriminações arcaicas e costumes anacrônicos deve ser celebrada. Afinal, alguns podem gritar aos quatro cantos do mundo que são mais bonitos, mais ricos, mais nobres, mais fortes, mais ou menos coloridos, religiosos perfeitos ou ateus convictos, mas, no final das contas, a única real diferença que conta é se eles são bons ou maus seres humanos. Saramago nos deu uma interessante “visão” disso em seu “Ensaio sobre a cegueira”: a luz que deveria iluminar às vezes nos cega.

Nesse universo de discriminações humanas, aparentes ou inventadas, talvez a mais antiga seja a de gênero. E nem por isso ela foi a primeira a ser combatida: muitas mulheres tiveram que parecer homens para serem respeitadas em sua realeza; outras suportaram terríveis suplícios, apenas por serem “diferentes”. A brutalidade que sofreram foi muitas vezes superior a que lhes atribuíam. Mas nada as impediu de lutarem por direitos iguais!

Só que direitos iguais não quer dizer que todos tenham que ser iguais, senão voltaremos à questão inicial: Já pensaram se todos fossem iguais, o quão sem graça seria?

As diferenças entre mulheres e homens continuarão a existir e fazem parte de um jogo de quebra cabeça muito legal! Jogo em que cada fase tem o seu encanto e, quando bem jogado, nunca perde sua magia. Mas, para isso é preciso que todos ganhem, mesmo quando aparentemente estejam cedendo. Assim, tudo se encaixará maravilhosamente, em todas as direções e sentidos.

Existem casais que são assim: profissionais competentes, cidadãos engajados, pais e mães dedicados. Questões de gênero para eles só existem quando deixam de ser tudo isso para serem apenas homem e mulher, que mesmo na mais sutil troca de olhares não conseguem esconder um misto de delicadeza contida e paixão recatada, ou, simplesmente, amor. Amor que se percebe em gestos antigos, em galanteios que revelam uma corte perene, um incansável e prazeroso conquistar do outro.
Uma cadeira puxada… O ajudar a colocar o casaco… O passar o prato servido para ela, quando o garçom se distrai… O ceder o melhor lugar… O tomar o braço… O abrir a porta do carro para que ela entre ou saia…

Tem gente que acha isso “careta”, antigo; mas quem está envolvido não pensa assim!

Cavalheiros e damas do mundo: que Deus os abençoe por esse cultivo de diferença sincera!

Distinção que não é mera aparência, mas manifestação de amor e carinho, que tem um quê de amizade e vários quês de segundas e terceiras intenções.

Que essa diferença nunca deixe de existir, e que jamais seja indiferença, para que mulher e homem sempre possam completar um ao outro, o que é muito bom, desde que o mundo é mundo!

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Por Adilson Luiz

Palestrante, compositor e escritor, autor de Sobre Almas e Pilhas (2005) e Dest’Arte (2009). Articulista e cronista, escreve em vários meios de comunicação no país. É Mestre em Educação, Engenheiro Civil, Professor Universitário e Conferente de Carga e Descarga no Porto de Santos/SP. Mantém o site algbr.hpg.com.br
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