A mídia TV e as eleições

Eleições | Influência da Mídia

Não resta a menor dúvida: a mídia TV é, no Brasil, a mais abrangente (e até a mais confiável, para a grande maioria), porque mostra cenários bonitos e – no caso da propaganda política – candidatos simpáticos e maquiados, como se fossem astros de novelas. Aliás, aí está o grande segredo da máquina televisiva: encher os olhos, “pasteurizar” as imagens (como disse o radialista J. Pedro em uma entrevista ao Antunes Severo no Caros Ouvintes), mostrar, por antecipação, qual o candidato mais palatável para o gosto do brasileiro. Para as novas gerações: “antigamente o leite, para ser consumido com segurança, tinha que ser “pasteurizado”, um processo que matava todas as impurezas do líquido in natura. E é isso que a TV faz, ou as produtoras fazem. Sim, por que nos últimos 20 anos acompanhei todas as grandes campanhas de Santa Catarina e para aqui convergiram, desde a candidatura de Vilson Kleinubing à Prefeitura de Blumenau, e depois, ao Governo do Estado, todas as grandes produtoras de programas políticos deste país. Algumas chegaram até sem muita fama ou aparato, mas depois mostraram, de norte a sul do país, para os mais diversos partidos políticos, como se elege um candidato na mídia televisão!

Tenho amigos que um dia estão no Rio Grande do Sul com a produtora tal; na eleição seguinte elegem o governador de um estado no nordeste, depois voltam a mostrar candidatos do sul. É a máquina das produtoras de vídeo a serviço dos políticos, e na TV nacional…

Falar sobre isto me leva a recordar os meus velhos tempos de TV… e de política!

Em 1969 vai ao ar a primeira emissora de televisão de Santa Catarina: a TV Coligadas de Blumenau. No primeiro dia e na primeira hora de noticiário lá estou eu na bancada do telejornal ao lado do Charles Weber.

Em 1970 a TV Coligadas, graças a Embratel, começa a retransmitir o Jornal Nacional da Globo. E eu fico encarregado do bloco regional do JN, com eventuais participações a nível nacional.

Em 1972 sou envolvido na política e me elejo vereador. E por que? Porque eu era muito conhecido pela televisão.

E nesses anos de início de televisão, a Coligadas ia longe, até o extremo oeste do Estado. Razão pela qual os políticos catarinenses de todas as regiões procuravam a todo custo “aparecer” na telinha, fosse como fosse.

De lá para cá, o que mudou foi a tecnologia.

E o rádio, por falta dela, ou por ser menos atrativo, está perdendo terreno a cada instante.

Entendo que uma discussão séria sobre isto, como se propõe fazer o site “Caros Ouvintes”, pode levar a se encontrar antídotos para alguns dos males que afligem o rádio catarinense (e brasileiro).

E antes que me esqueça, muito, muito antes de apresentar noticiário na TV, eu já apresentava o “Repórter Catarinense” com o Reynaldo Ferreira na PRC-4 Rádio Clube de Blumenau lá pelos anos 50! Faz tempo, não?
 
Mas de uma coisa podemos estar certos: ninguém, por mais que se esforce, vai conseguir destruir esse importante meio de comunicação que é o rádio.

Carlos Braga Mueller é radialista, jornalista e escritor. Apresenta na Rádio Bandeirantes AM de Blumenau o comentário diário: “Blumenau, Cidade que eu Amo”. Foi pioneiro da televisão em Santa Catarina, atuando na TV Coligadas, hoje RBS-TV/Blumenau como noticiarista e apresentador do Jornal Nacional regional. É escreve para o Blog do Adalberto Day e para o site do Instituto Caros Ouvintes. Visite as crônicas ou envie um e-mail.

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