A morte do folclorista Doralécio Soares

Moacir Pereira

Faleceu na quinta-feira, 30/8, em sua residência, vítima de insuficiência respiratória, aos 97 anos de idade, o jornalista Doralécio Soares, presidente da Comissão Catarinense do Folclore e um dos maiores defensores do folclore no Estado. A Fundaçao Cultural Franklin Cascaes registrou o luto da área cultural da Capital e deu mais informações sobre a biografia do escritor falecido: “Nascido na cidade do Recife (PE), em 23 de outubro de 1914, Doralécio Soares iniciou seus estudos com Luís da Câmara Cascudo, um dos mais respeitados pesquisadores do folclore brasileiro. Aos 22 anos de idade, especialista em fotografia e tipografia, veio para Florianópolis ajudar na implantação da Escola de Aprendizes Artífices de Santa Catarina (atual Instituto Federal de Santa Catarina), atuando por duas décadas no ensino técnico e profissionalizante como professor de Artes Gráficas.
Folclorista, jornalista profissional, escritor, técnico em artes gráficas e acima de tudo apaixonado pela cultura popular, dedicou parte de sua vida à pesquisa do artesanato catarinense, em especial da renda de bilro.Era dono de uma grandiosa coleção particular de rendas de bilro, com mais de 200 peças, atualmente sob a guarda do Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral (UFSC).
Na década de 1970 realizou pelo IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) um mapeamento para identificação das rendeiras do município e, a partir dessa pesquisa, publicou o livro “Rendas e Rendeiras da Ilha de Santa Catarina”, que até hoje é referência para pesquisas. Também criou a extinta Associação das Rendeiras em Florianópolis – a ASSORI – um sonho de ver essa tradição preservada e continuada. Em 2011, Doralécio Soares foi homenageado pela Fundação Cultural de Florianópolis na inauguração do Centro de Referência da Renda de Bilro, o Casarão das Rendeira.
Foi também autor de vários livros sobre o folclore catarinense, entre eles, Aspectos do Folclore Catarinense (1970), Cadernos de Folclore 27 – Boi-de-mamão catarinense (1978), Folclore Brasileiro – Santa Catarina (1979), Schutzenvereins – Sociedade de Atiradores (1979), além de várias edições do Boletim da Comissão Catarinense de Folclore (publicados de 1970 a 2006).”

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