A música passada a limpo: Luiz Meira

A convite do clarinetista Paulo Moura, que nos deixou este ano, um jovem músico começa a trilhar sua caminhada ao lado dos grandes nomes da música popular brasileira. Seu nome: Luiz Meira, natural de Florianópolis.  Como produtor talvez tenha encontrado, por enquanto, maior reconhecimento. Já seu violão, teve a oportunidade de acompanhar estrelas como Gal Costa, Sá e Guarabira, Elza Soares, Beto Guedes, Luiz Melodia, entre outros. Eis que não estava satisfeito. Começa a compor e dessas composições surge o álbum “Intuição”, de 2001. Nele, o artista se rende à verve instrumental, notabilizada pelas faixas “Café”, “Flamenca” e “Pescador”, com destaque para o arranjo primoroso da primeira. Mas apresenta já algumas canções notáveis como “Junto até o fim” e “Intuição” – faixa que dá nome ao disco. Essas canções me remetem a um clima que lembra muito o segundo disco de um jovem Djavan (1978) onde o lirismo dos arranjos casa perfeitamente com as composições, tanto quando de suas obras mais enérgicas, quanto nas mais sentimentais. “Você chegou pra ficar” (2009), de Luiz Meira, Jean Mafra e Jean Garfunkel.
Oito anos mais tarde, muitas turnês e produções depois reaparece a veia composicional de Luiz Meira. O cd “Desasado”, de 2009, vem continuar o legado álbum anterior, sustentando o samba como gênero predominante. Das obras de sua autoria, destaco “Quando vens”, “Desasado” e “Você chegou pra ficar”.
Na essência destas obras o compositor traz a irreverência do samba tradicional aliado à sofisticação harmônica da bossa nova. Como não poderia deixar de ser, o disco apresenta uma produção irretocável, sustentada por arranjos inteligentes e polidos. O trabalho ainda conta com a participação de Zeca Baleiro – em “Desasado”.
 
A melancolia de “Quando vens” retrata essa mistura entre samba-canção de roupagem harmônica interessante, já “Desasado” apresenta a malandragem na letra dos bons sambas de nossa discografia. E o convite a Zeca Baleiro caiu como uma luva para a composição.
 
Entretanto, a pérola do disco, para este humilde crítico, está em “Você chegou pra ficar”, faixa que encerra o álbum, composta em parceria com Jean Mafra e Jean Garfunkel. Belíssima canção. Numa métrica de versos curtos e de rimas de grande riqueza, encontramos em seu único momento de quebra um sopro de poesia: “mas quando a noite escura me assombrava/ você veio e abriu a cortina”. A faixa flui maravilhosamente e a voz do compositor, assim como sua interpretação, contribui muito para isso.
 
Talvez Luiz Meira seja o nome mais respeitado nacionalmente da música catarinense. Sua ainda curta carreira como compositor precisa ser ampliada urgentemente para nosso usufruto, claro.
 
Luiz Meira contribui tanto nos palcos quando nos bastidores. Idealizador do FEMIC (Festival da Música e da Integração Catarinense), seu diretor desde 2006, o artista lança seu olhar sobre os novos talentos catarinenses espalhados pelos quatro cantos de seu território. O evento já é um sucesso, embora ainda não percebamos sua gigantesca importância em apontar nossos sotaques musicais.
 
Por tudo isso, nosso agradecimento a este compositor, produtor, arranjador e instrumentista de grande expressão nacional, com a certeza de que muito ainda está por vir.

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