A música que vem do Sul 05

Em nosso comentário sobre a Gravação Misteriosa de Alcides Gonçalves, falamos da sua descoberta no acervo de fitas de rolo antigas do amigo Paulo Antônio Coimbra de Bastos que nem mesmo ele soube explicar da sua origem.
Por José Alberto de Souza

Alcides GonçalvesTambém dissemos que o Paulo era dotado de uma voz privilegiada, apesar de avesso a apresentações públicas, reservando-se no exercício do seu talento apenas para um ou outro grupo selecionado de amigos.
De timbre bastante afinado, faz-se bastante exigente na escolha dos músicos para ser acompanhado, geralmente de consagrados violonistas como Telinho, Jessé Silva, Nito, Darcy Alves e Mário Barros.
Atualmente aposentado, divide o seu tempo residindo nos meses mais quentes na sua casa de veraneio em Tramandaí e o restante do ano cuidando do seu sítio da Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre.
A sua data de aniversário já se tornou um evento anual nessa cidade praiana, de vez que atrai um número considerável de pessoas ligadas ao mundo musical, como aconteceu no último dia 15 de fevereiro, a pretexto de apreciarem a sua enrustida vocação artística.
Tal fato resulta do seu excelente relacionamento com instrumentistas e cantores idolatrando-o pelo prestígio e apoio que sempre lhes dispensou desde a época na qual exercia atividades profissionais como gerente de banco.
Assim é que, graças a sua decisiva influência, o violonista Jessé Silva conseguiu realizar, em setembro de 1977, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Noite de Música Brasileira, contando com o apoio do Comind, instituição bancária a que prestava serviços.
Espetáculo grandioso com a participação dos cantores Alcides Gonçalves e Cléa Ramos, tendo ainda como solistas Jessé Silva (violão), Clio Paulo (cavaquinho), Peri Cunha (bandolim) e Plauto Cruza (flauta) e mais os percussionistas Azeitona, Beto e Miro, além da especial colaboração do conjunto Lenha da Casa, formado por Agnaldo, Arnaldo, Jessé e Plauto, magnificamente conduzidos pela dupla de apresentadores Roque Araújo Vianna e Suzana Silva; marcou aquele tempo em que se valorizava mais o artista local.
Edição independente, o violonista Mário Barros vem de lançar o seu mais recente álbum mesclando composições próprias e de outros autores como Pixinguinha, Ary Barroso, J.Rodrigo, T.Albinoni, A.Barrios e F.Schubert, registrando nas três primeiras faixas o seu domínio na exata composição entre letra e melodia e na perfeita simbiose do seu violão com o vocal apropriado de Paulo Antônio Coimbra Bastos.
O Rio e Eu (Mário Barros)
Ao ver o rio correr bravio
Me perguntei por onde andam
Essas águas mal domadas.
Eu sei que às vezes
São serenas como asas
E às vezes tensas
Como potro em debandada.

Ser como o rio me faz pensar
Num pago novo andar e andar
Sem ter licença nem fronteira,
Poder cruzar terras sem dono
Ou proibidas, vagar solito,
Ser remanso ou corredeira,

Vestir a luz do sol
Em tons de colorado
E murmurar uma cantiga
A luz da lua, abrir os braços
Em abraços caborteiros
Ao afagar o ventre
Da pampa xirua.

Vou com o vento
Sem ter vontade de voltar,
Sem vacilar seguindo
O rumo que ele mande.
Talvez um dia eu seja
Água em branca espuma
Jorrando livre no vazio
De um salto grande.

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