A outra metade da laranja ou uma…

O ser humano, portanto homens e mulheres, estão entre as mais complexas das criaturas desse belo planeta.

Só o ser humano tem a incrível capacidade de estudar outros humanos, mas talvez descubra muito mais dos animais irracionais; seus hábitos e instintos em comparação com a nossa raça, a humana.

Desde que éramos bem pequenos a ponto de não nos lembrar, algum tio ou tia, amigo ou amiga da família, com certeza já dizia: “Quando crescer vai ter uma porção de namorados, ou namoradas”.

Chegamos à adolescência e fomos vítimas do que muitos estudiosos chamam de – paixão. Há grandes peritos na área que já descobriram o que acontece no cérebro de quem está apaixonado; todo um louco conjunto de sentimentos que nos faz ir do “céu ao inferno”, mais das vezes o final é o “inferno”. A palavra paixão significa: Sentimento intenso que possui a capacidade de alterar o comportamento e o pensamento. O pensamento. E quantas vezes ouvimos falar da: Paixão de Cristo? Nesse caso com sentido de grande sofrimento.

Estudiosos sabem que a paixão é passageira, nada tem de similar ao sentimento tão desejado, chamado – Amor. Esse tem características completamente diferentes da paixão.

Aí chegamos a um dos grandes acidentes da vida emocional: Nos casar com a pessoa por quem estamos, ou um dia estávamos apaixonados. O coração não dispara mais, as pernas que não adormecem, a voz não custa mais a sair, um desejo quase que incontrolável de beijar, abraçar e amar a nossa paixão é substituído por um – Oi, e olha lá. Um dia, algum tempo depois de casados, nenhum dos sentimento que pertenciam a paixão existirá. Existirá sentimentos maravilhosos aos casados com quem amam, não de ex apaixonados.

Há casais que são felizes ratificando as palavras das Sagradas Escrituras, de que marido e esposa se completariam. Aliás, o registro bíblico aponta a primeira poesia ao momento em que o homem viu a mulher pela primeira vez: “Esta, por fim, é osso dos meus ossos, e carne da minha carne, esta será chamada mulher, porque do homem foi tirada”. A primeira coisa, as primeiras ideias e pensamentos do homem ao ver a mulher foi compor uma poesia.

Existe, no entanto um ditado que diz: “A outra metade da laranja”. A frase dá a entender que todos nós de um jeito ou de outro, em algum momento da vida, iremos procurar e encontrar a – outra metade da laranja. Alguém que nos complete assim como duas metades de uma laranja se completam como se fossem uma.

Tudo isso, todo esse rodeio e passeio para tentar entender por que alguém em juízo perfeito esperaria a outra metade da laranja para ser feliz. Por que achamos e enfiamos em nossa cabeça que precisamos de alguém para nos fazer feliz? E mais, alguém que combine conosco; como se fosse nos fazer sentir completos. Talvez a resposta esteja logo acima, na primeira frase desse parágrafo: Quem de nós têm juízo perfeito? Perfeito, com certeza nenhum de nós; alguns mais prudentes, outros menos e ainda outros bem menos.

Quem não ama a si mesmo, quem não consegue ficar sozinho, quem não suporta ir sozinho ao cinema ou ao teatro, quem sente vergonha de almoçar ou viajar sozinho por não se suportar só ou tem receio do que outros irão pensar por estar sozinho nunca encontrará a outra metade da laranja. E se um dia encontrar, vai querer transformar essa pessoa em uma “bengala humana”, alguém só para se apoiar.

Pode-se também pensar na ideia de encontrar alguém para dividir a “essência da vida”, dos pensamentos, dos sonhos, dos desejos, dos anseios, dos medos, das conquistas, das lágrimas, enfim, daquilo que vier pela frente. Infelizmente o que mais se vê e se ouve são reclamações; ele reclama dela, ela reclama dele. Parece que se não houver algo a criticar no cônjuge a pessoa fica sem assunto, não participará da conversa.

Partindo do ponto de que a união de duas pessoas que se amam é algo sagrado, também é sagrado o amor próprio. Quem arrisca dizer se algum dia já esteve ou nesse momento está apaixonado ou apaixonada por si mesmo? Melhor que paixão, um caso de amor consigo mesmo; encarando nossas falhas e também as boas qualidades.

Possivelmente somente depois de um caso de amor consigo mesmo perceberemos que não há nenhuma necessidade de outra metade da laranja e muito menos ninguém para nos servir de bengala. Ou nos bastamos a nós mesmos ou nós seremos uma metade perdida e uma bengala encontrada por algum pobre coitado.

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