A Pesca da Tainha

Virgílio Várzea

Do lado leste, do mais alto cabeço da penedia, o vigia rompera a acenar com sua camisola vermelha. Era um magote de tainhas que negrejara ao longe, à superfície do mar verde, caminhando na direção de terra. De repente, o Delfino, um dos proprietários das redes, que estava de pé sobre um cômoro, a fixar o mar e vários pontos da costa com seus olhos de grande visão, deparou com a enorme manta de peixe, ao mesmo tempo que dera com o sinal do vigia: e no atabalhoamento constante de nervoso, os braços no ar, botou-se a toda par ao rancho, a gritar: – Lá estão abanando! Lá estão abanando! Repontou agora, na altura dos Ganchos, uma manta de peixe que é um Deus nos acuda! Corram! Olha as canoas que larguem. Depressa!… Todos ergueram-se a uma, olhando o mar, com as mãos arqueadas sobre os olhos. Gritos estrugiam de todos os lados: – É verdade, que alentada que era, Nossa Senhora! Nunca se vira tanto peixe assim! Eram para mais de cem mil! Aquilo ia coalhar tudo… Além, de pé, sobre a rocha alta, o vigia continuava a acenar.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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