A primeira mesa de som

Ivan Dorneles Rodrigues

Na década de 1920, as emissoras de rádio não tinham caráter comercial. O que acontecia era a reunião de algumas pessoas, que se tornavam sócias e fundavam um rádio clube, sustentado pelos próprios sócios.

A sete de fevereiro de 1927 Carlos Ribeiro de Freitas convocou um grupo de entusiastas gaúchos da radiodifusão para uma reunião que foi realizada em nove  de fevereiro, em sua residência, na Rua da República, 46, para a constituição de uma estação e de uma escola de rádio. Nasceu aí a Rádio Sociedade Gaúcha, denominação sugerida por Ivo Barbedo. Sua primeira diretoria ficou constituída por Alcides Cunha, Carlos Ribeiro de Freitas, Levegildo Veloso, Gabriel Fagundes Portella, Olavo Ferrão Teixeira, José Baptista Pereira e o próprio Ivo Barbedo.

A este grupo inicial juntaram-se, no conselho diretor, Fernando Martins, Alberto Souza Gomes, Pedro Cesar de Oliveira e Eloy Moraes.

A 27 de agosto de 1927 nova assembleia aprovaria os estatutos sociais e uma comissão técnica da qual participaram, também, Edison Ganzo e Arthur Hentz.

A 19 de novembro de 1927 inaugurava-se oficialmente a emissora que já funcionava em caráter experimental desde setembro. Localizava-se no sexto andar do edifício do Grande Hotel, na Praça da Alfândega.

Um speaker da época, por ocasião do cinquentenário da referida emissora (1977), contou sobre as instalações muito primárias. “O transmissor era de 50 watts e funcionava na mesma sala-estúdio, ao lado de uma mesa para locuções e de outra em que se encontrava uma vitrola manual, dessas de manivela para dar corda e uma corneta como alto-falante. Quando não se apresentavam artistas ao vivo, convidados, cabia ao locutor, após anunciar algum disco, ficar segurando o microfone junto ao alto-falante da vitrola.”

Era assim, no início, a PRA-Q, “A Voz dos Pampas”.

Radialistas gaúchos pioneiros: Paulo Franco dos Reis (diretor artístico); Luiz Corcione (diretor administrativo); Nero Leal, Antônio Spetzold, Alfredo Pirajá Weiss, Amaro Júnior, Renaux Young (locutores). Na audição inaugural, prestigiada por Otávio Rocha, Intendente de Porto Alegre, e por Gil de Almeida, Comandante da Região Militar, a principal atração foi a orquestra de câmara de Sotéro Cósme, da qual participava como segundo violino, Radamés Gnatalli.

Em 1929 Gustavo Welp Filho assumiu a direção técnica da Rádio Sociedade Gaúcha e, através de um depoimento, contou-nos que a Rádio Gaúcha, nesta época, já havia transferido seu estúdio-transmissor dos altos do Grande Hotel para o sobrado ao lado da Farmácia Carvalho e, que ali, sob a orientação de Gabriel Fagundes Portella, instalaram um novo transmissor de 250 watts. E fizeram mais. Um aprimoramento técnico indispensável, o primeiro toca-discos acoplado diretamente ao transmissor, com o que se inaugurou a primeira mesa de som do Rio Grande do Sul.

Por hoje fico por aqui.

 

PY3IDR | [email protected] | www.memoriallandelldemoura.com.br

 

Ivan Dorneles Rodrigues

 

Na década de 1920, as emissoras de rádio não tinham caráter comercial. O que acontecia era a reunião de algumas pessoas, que se tornavam sócias e fundavam um rádio clube, sustentado pelos próprios sócios.

A sete de fevereiro de 1927 Carlos Ribeiro de Freitas convocou um grupo de entusiastas gaúchos da radiodifusão para uma reunião que foi realizada em nove  de fevereiro, em sua residência, na Rua da República, 46, para a constituição de uma estação e de uma escola de rádio. Nasceu aí a Rádio Sociedade Gaúcha, denominação sugerida por Ivo Barbedo. Sua primeira diretoria ficou constituída por Alcides Cunha, Carlos Ribeiro de Freitas, Levegildo Veloso, Gabriel Fagundes Portella, Olavo Ferrão Teixeira, José Baptista Pereira e o próprio Ivo Barbedo.

A este grupo inicial juntaram-se, no conselho diretor, Fernando Martins, Alberto Souza Gomes, Pedro Cesar de Oliveira e Eloy Moraes.

A 27 de agosto de 1927 nova assembleia aprovaria os estatutos sociais e uma comissão técnica da qual participaram, também, Edison Ganzo e Arthur Hentz.

A 19 de novembro de 1927 inaugurava-se oficialmente a emissora que já funcionava em caráter experimental desde setembro. Localizava-se no sexto andar do edifício do Grande Hotel, na Praça da Alfândega.

Um speaker da época, por ocasião do cinquentenário da referida emissora (1977), contou sobre as instalações muito primárias. “O transmissor era de 50 watts e funcionava na mesma sala-estúdio, ao lado de uma mesa para locuções e de outra em que se encontrava uma vitrola manual, dessas de manivela para dar corda e uma corneta como alto-falante. Quando não se apresentavam artistas ao vivo, convidados, cabia ao locutor, após anunciar algum disco, ficar segurando o microfone junto ao alto-falante da vitrola.”

Era assim, no início, a PRA-Q, “A Voz dos Pampas”.

Radialistas gaúchos pioneiros: Paulo Franco dos Reis (diretor artístico); Luiz Corcione (diretor administrativo); Nero Leal, Antônio Spetzold, Alfredo Pirajá Weiss, Amaro Júnior, Renaux Young (locutores). Na audição inaugural, prestigiada por Otávio Rocha, Intendente de Porto Alegre, e por Gil de Almeida, Comandante da Região Militar, a principal atração foi a orquestra de câmara de Sotéro Cósme, da qual participava como segundo violino, Radamés Gnatalli.

Em 1929 Gustavo Welp Filho assumiu a direção técnica da Rádio Sociedade Gaúcha e, através de um depoimento, contou-nos que a Rádio Gaúcha, nesta época, já havia transferido seu estúdio-transmissor dos altos do Grande Hotel para o sobrado ao lado da Farmácia Carvalho e, que ali, sob a orientação de Gabriel Fagundes Portella, instalaram um novo transmissor de 250 watts. E fizeram mais. Um aprimoramento técnico indispensável, o primeiro toca-discos acoplado diretamente ao transmissor, com o que se inaugurou a primeira mesa de som do Rio Grande do Sul.

Por hoje fico por aqui.

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