A Primeira Ninguém Esquece

Ricardo Medeiros, que até trocou de nome, revela: Paulo Brito foi o responsável.O Ricardo, meu irmão e deflagrador desta aventura é um tarado pela Rádio Verde Amarela que ele inventou nos tempos de estudante. Tão tarado que não quis fundir a rádio com o nosso projeto do Caros Ouvintes. Eu, porém, não desisto e revelo uma parte de sua última edição.

Ricardo – No ar, antes de chegar o Natal, a sua e a nossa… Rádio Verde-Amarela. Confira :
– «Não é Rua Barari, porra !»
– Ricardo tem nome artístico.
– Radio Fofinha entra para a história

Ricardo – Ultimamente mantive contato com duas feras de Florianópolis. Uma delas se chama Paulo Brito e a outra Roberto Alves. Foi muito legal «revê-los», mesmo que via Internet.

Ricardo – Paulo Brito  foi professor de fotografia e de rádio do curso de jornalismo da Universidade Federal. Atualmente é comentarista esportivo da Rádio CBN, da RBS. E Roberto Alves também está  na RBS, atuando em todos os campos possíveis : jornal, TV e rádio.

Ricardo – Foi exatamente o Brito, esse cabelo e barba grisalhos, que me fez um convite no ano de 1985. « Negrão você quer trabalhar com a gente, no rádio? ». Levei um susto. Eu, falando num microfone de uma verdadeira emissora de radio?

Ricardo – Eu e meus companheiros estávamos no terceiro ano do curso de jornalismo. Bem, era hora de começar a nossa carreira, não importando em qual setor. Disse « sim » ao Brito.  Negrão, você vai trabalhar com a gente na Rádio Cultura. Vai trabalhar comigo, com o Miguel Livramento, Vicente Luis, Roberto Alves, Polido Junior,  Hélio Costa e Gastão de Bois».

Ricardo – Mas o que eu iria fazer na Rádio Cultura ? « Você vai apresentar um programa antes da jornada esportiva e durante a jornada você fará  o plantão esportivo ».

Ricardo – Que frio na barriga. Quando eu vivia em Herval D’oeste, cidade coladinha a Joaçaba, no Oeste catarinense, ficava treinando a minha voz. Seja no banheiro, seja na própria igreja para onde eu ia participar da celebração religiosa.

Ricardo – Agora eu estaria enfim falando numa rádio. Faria então um programa todo domingo, das 12 horas até por volta das 14 horas. Depois passaria o comando para o pessoal que já estaria em campo em algum estádio. Tanto poderia ser no Estádio Orlando Scarpelli, Ressacada ou em outras cidades do Estado, assim como em outras regiões do país.

Ricardo – Com a jornada « rolando » eu estaria no plantão esportivo. Sim, Ricardo Medeiros e não mais Ricardo Leandro de Medeiros. Cortamos o meu « Leandro » e o meu «de».  Pronto o meu nome artístico passou a ser  Ricardo Medeiros.

Ricardo – Para fazer a jornada esportiva eu utilizava dois telefones para entrar em contato com os outros plantonistas do Estado. Era um verdadeiro passa-repassa de informações. Tinha também comigo dois rádios, para escutar os demais jogos  pelo Brasil e pra saber principalmente sobre os jogos que estavam na loteria esportiva.

Ricardo – Quando tinha gol em algum lugar, eu pedia para o operador de som abrir o microfone. Quando a lusinha acendia na cabine , eu dizia : «tem gol». E eis que o narrador me perguntava : «Tem gol aonde Ricardo Medeiros?». E aí eu soltava o verbo, dando todas as informações sobre o dito gol.

Ricardo – Mas o começo foi difícil pra mim. Eu era apaixonado pelo estilo FM de falar. Eu queria dar informações sobre  futebol como um DJ. Num estilo balançado, musicado. Era um desastre. Enquanto o narrador, comentarista e repórteres de campo entravam com aquela famosa virilidade esportiva, eu entrava no ar num estilo light e sem pressa : « Tem gol em Joinville. Carlos Fernando marcou para o Joinville aos 22 minutos. Agora Joinville 1 Blumenau Zero ». Acaba com a jornada esportiva.

Ricardo – Para completar a trapalhada eu não conseguia dizer corretamente « Rua Bariri », onde tem um estádio no Rio de Janeiro. Ao invés de dizer « Rua Bariri », eu dizia sempre   « Rua Bararri ».

Ricardo – Eu disse tantas vezes « Rua Barari », que  numa ocasião tocou o telefone do estúdio. Era o diretor da rádio. Ele nem se identificou, mas eu sabia que era ele. Ele lascou essa : « Não é Rua Barari, Porra ! ».  E pumba. Bateu o telefone na minha cara.

Ricardo – Depois do estilo FM e do efeito Barari, a coisa engrenou. Obrigado Brito e Roberto Alves pela paciência e pelos toques que vocês me deram. Um grande abraço pra vocês.

Ricardo – Mudando de assunto, mas continuando no campo do rádio, uma aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina me mandou um e-mail. O nome dela é Júlia. Ela queria informações sobre a Rádio Fofinha, pois será feito um livro de 25 anos de fundação do curso de jornalismo. E a Rádio Fofinha fez parte desta história.

Ricardo – Pois bem, tudo que eu me lembrava eu botei na tela do computador e mandei para a Júlia. Expliquei um pouquinho sobre essa rádio imaginária, surgida em 1984, quando estávamos no segundo ano de universidade. Sim, nós: Ricardo, Cacau Lino e Manecão Mendes. Éramos nós três que no palco colocávamos no ar uma serie de programas de Rádio. Seja programa de notiíias, variedades, programa musical ou a Hora da Ave Maria.

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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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