A propaganda, os costumes, as crenças e os desejos

Vivemos grandes eventos neste mês de Oktoberfest que termina sacudido pela violência da intempérie em Lages e a eleição presidencial tida como um dos maiores eventos da democracia mundial.

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Os efeitos, conhecidos agora, mostram o que pode fazer de positivo uma sociedade como a de Blumenau; como somos frágeis diante das forças da natureza com o exemplo da “Princesa da Serra” e como ainda temos muito o que aprender em termos de comportamento político.

E o que têm isso a ver com a propaganda? Genericamente tudo e nada. Como ação política (no sentido estrito da palavra) a propaganda abrange as condições sociais, econômicas e culturais ao impactar pessoas, organizações privadas e públicas e a sociedade como um todo.

Ajudando a criar e viver o mundo da propaganda, Hilda Ulbrich Schutzer, afirma no prefácio à obra de Renato Castelo Branco, um profissional com idéias e ideais: “Do ponto de vista empresarial, a CBBA considera a propaganda um legítimo instrumento de expansão comercial, da promoção do consumo e dos objetivos de lucro, dentro dos conceitos de economia de mercado. Mas tem, ao mesmo tempo, a precisa consciência da responsabilidade social da propaganda, que deve ser verdadeira no fundo e na forma.

Deve respeitar o comunicado e o indivíduo. E, precisa estar em consonância com os objetivos de desenvolvimento econômico, social e cultural do país”. A publicitária Hilda Ulbrich Schutzer é a atual presidente da agência CBBA – Castelo Branco e Associados Publicidade.

A citação do texto da publicitária e empresária Hilda Schutzer, é mais do que uma referência à admiração que tive e mantenho pelo exemplo do decano da publicidade brasileira Renato Castelo Branco: é uma homenagem a Francisco Socorro, outro publicitário que honra nossa profissão e enaltece o valor da comunicação social como instrumento de cidadania e liberdade. Chico Socorro, como gosta de ser reconhecido, tem prestado contribuição narcante ao desenvolvimento da propaganda em Santa Catarina.

Inicialmente, como executivo de comunicação e marketing da Cia. Hering desde o início da década de 1980, quando foi um dos criadores do GPCM – Grupo de Profissionais de Comunicação e Marketing, de Blumenau. Em Florianópolis participou da administração da agência Propague e atualmente é consultor institucional de comunicação mercadológica e planejamento com atuação nos estados de Santa Catarina e São Paulo.

Voltando ao nosso mercado – pequeno em volume, exigente em qualidade e rico em talentos – é bom relembrar que vivíamos, a partir de 1960, momentos de grandes transformações, umas para o bem, outras nem tanto. As ações populares se refletiam na transpiração de seu povo manifestando a ânsia de arejamento, de mudança que o estado democrático, vigente desde 1945, prometia e que na prática, tardava. Florianópolis e o litoral catarinense despertavam para turismo – a indústria sem chaminés – que iria impulsionar a economia da região sem os prejuízos da poluição provocada pela indústria convencional.

A bela e recatada capital catarinense, entretanto, mais olhava do que ousava no campo das inovações. Sua comunicação social, em grande parte, era lerda e pachorrenta, adjetivada e conservadora, controlada pelos comandos políticos que se perpetuavam no poder e no comando da imprensa escrita. Já no rádio, embora as principais emissoras obedecessem ao comando dos mesmos líderes, havia dissidências nascidas no final dos anos 1950 com a instalação de emissoras que se anunciavam independentes ao mesmo tempo em que cometiam, na prática, o caminho percorrido pelas rádios pioneiras na Capital.

Mesmo assim, sempre havia os paladinos intrépidos entre empreendedores e empresários do setor privado lançando-se desbravadoramente em empreendimentos hoteleiros e de transporte como foram os casos do inconcluso hotel e centro de eventos da Lagoa da Conceição e a companhia aérea TAC – Transportes Aéreos Catarinenses, também de pouca duração. No setor público, eleito em 1955, o jornalista, poeta e escritor Jorge Lacerda marcava seu curto governo (morreu num acidente aéreo em 1958) mobilizando a imprensa e a opinião pública com medidas inovadoras e pouco comuns na política tradicional. Como, por exemplo, contratando profissionais de imprensa e de rádio para cuidarem da divulgação dos atos de seu governo.

Enquanto isso, o Brasil era sacudido por Juscelino Kubitscheck, que revolucionava o país com a proposta e as ações de um governo que queria fazer em cinco anos o que normalmente aconteceria em 50 anos.

Com esse caldeirão fervendo, a população se sentia estimulada e também iniciava um processo de mudança que esbarrou, no dia primeiro de abril de 1964, nas reações das forças militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Mas, os empreendedores das primeiras empresas de comunicação do Estado que desde 1957 haviam se instalado, continuaram sua trajetória de construção da história da propaganda em Santa Catarina.

Até a próxima semana.

Este artigo faz parte da série Apontamentos para a História da Propaganda em SC.

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