A qualidade do rádio brasileiro

Prometi me atualizar sobre as rádios que transmitem programações religiosas em Curitiba. Pois bem; pelo menos umas 8 rádios entre AM e FM veiculam esse tipo de programação.
Por Edemar Annuseck

Veja o caso da Rádio Independência, primeiro lugar no Ibope nos tempos de Euclides Cardoso de Almeida, Gilberto Fontoura, Willy Gonser, Silvio Ronald, Martins Rebelato, Jota Pedro, Fernando César, Jotapê e grandes nomes da comunicação paranaense, hoje rádio  religiosa. Nada contra a Igreja e quem comprou a emissora, mas o rádio tem objetivos bem definidos pelo Ministério das Comunicações (ou será que não é mais assim), pela cultura, prestação de serviço, lazer e esporte.
Agressões
O que se ouve nos dias de hoje nas rádios brasileiras em ambas as freqüências é a falta de criatividade dos diretores artísticos, produtores, comunicadores e proprietários.
Os comunicadores agridem o vernáculo, jogando no lixo a máxima de que rádio é cultura. Sugiro aos ouvintes que percorram o dial para ouvir e fazer sua própria análise. Ouçam a mesmice dos programas. Todos imitando todos. Um verdadeiro papel carbono. Nas fms os locutores usam a mesma linguagem. Os comunicadores atendem os telefonemas dos ouvintes com direito a colóquio amoroso, promoções e pedágios, para ganhar a audiência. Os ouvintes que ligam para determinados programas são sempre os mesmos. Os locutores já sabem de cor e salteado a vida de quem está do outro lado da linha. As emissoras de Freqüência Modulada colocam na rua suas coloridas vans com bonitas jovens para atrair o ouvinte. Até posso aceitar que os jovens gostam desse movimento todo.  O que se discute é a linha de conduta que o rádio sempre teve. O rádio moderno é assim mesmo, é assim que a juventude gosta, é assim que se conquista audiência. É por isso que os índices de audiência estão sempre em queda. Isso lembra o quadro atual dos cantores que se apresentam na tevê. Antigamente eles apareciam cantando ao vivo. Hoje a dublagem tomou conta. Alega-se que custa muito dinheiro a utilização de conjuntos musicais e orquestras. Mas o play-back ainda existe. Ocorre que tem cantor que só canta em CD. Tome-se como exemplo o Trio Los Angeles, Gretchen e muitos outros pelo país afora.
Falta de respeito
A pornografia também invadiu o rádio. Será que os anunciantes aprovam. Ou se identificam com esse tipo de rádio. Pelo que acontece não é de se duvidar. Alguns programas e transmissões esportivas transformaram-se em verdadeiros absurdos.
A censura não existe em nosso país, mas, sou a favor de que em determinados casos como enumerei, os abusos sejam coibidos pelos órgãos fiscalizadores do rádio. Comentar o assunto não custa nada. O que custa é encontrar respaldo. As pessoas querem estar empregadas, de preferência em instituições estaduais e federais, mas, quando procuradas nunca se encontram no local do trabalho.  
As redes de rádio
Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, e Rio Grande do Sul, ainda se ouvem programas produzidos e com qualidade. As emissoras desses estados expandiram seu alcance com a formação de redes nacionais. A Jovem Pan foi a responsável pela primeira rede – na época via Embratel, por telefone – do Jornal de Integração Nacional. Os satélites e a internet abriram caminho para o surgimento das redes nacionais. Do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Rio Grande do Sul são gerados as programações que chegam aos mais diferentes pontos do país. Com isso grande número de profissionais perdeu seu emprego. Noventa por cento dessa programação não tem nenhuma identificação com as cidades onde são veiculadas. Tudo é empurrado goela abaixo do ouvinte. A opção é tentar ouvir as emissoras locais que não fazem parte das redes nacionais. Mas aí surge um outro problema. As rádios e me refiro especialmente as de Curitiba, veiculam programas terceirizados com a presença de  políticos ou candidatos, a maioria nem radialistas, nem jornalistas são. E a fiscalização que deveria existir, onde está. O rádio não foi instituído para ser conduzido por radialistas e jornalistas. E porque isso não acontece na maioria das emissoras. Porque grande parte delas, está nas mãos de políticos e de igrejas.
Muita diferença
Minha análise não tem nenhum fundo de saudosismo. Escrevo sobre a realidade do rádio, com o objetivo de abrir os olhos de todos. Baseio-me no que está ocorrendo. Os programas de qualidade deixaram de existir e com eles os grandes anunciantes.
Ou vocês acham que a “fatia” publicitária diminuiu só por causa da televisão. Nada disso. Tem televisão que cobra o preço do rádio para inserções comerciais.
As pesquisas mostram uma queda acentuada de audiência do rádio.
Hoje agências de publicidade analisam o perfil do ouvinte, por sexo, faixa etária, sócio-econômica, para programar seus clientes. Se a audiência de sua rádio está nas classes A e B, com certeza as grandes empresas programarão sua emissora. Se sua rádio está em primeiro ou segundo lugar no segmento F, G, H, com certeza não terá o respaldo publicitário dos anunciantes de grande porte. Boa audiência não significa bom faturamento. O bom produto tem seu preço, também no rádio.
O rádio precisa mudar. Os proprietários das rádios precisam entregar suas programações a profissionais qualificados. Fazer rádio com qualidade e esperar retorno financeiro só com diretores artísticos, publicitários e comunicadores do rádio.
Espero que este quadro se modifique. Quem tem a ganhar com isso são os proprietários das rádios, os anunciantes e os ouvintes.
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Por Edemar Annuseck

Edemar Annuseck, jornalista, narrador esportivo que iniciou na Rádio Nereu Ramos de Blumenau em 1964 e depois atuou nas Rádio Jovem Pan, Tupi, Record de São Paulo, Clube Paranaense, Cidade e Globo/CBN de Curitiba, TV Jovem Pan e SPORTV, Editor da página de esportes do Jornal A CIDADE DE BLUMENAU, cobrir 5 Copas do Mundo (74, 78, 82, 86 e 90).
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