A recepção

Uma das características que marcam a personalidade do caiçara em nosso litoral é a grande facilidade de colocar apelidos. Isto tem sido constatado ao longo dos anos,  em cidades como Paranaguá, Guaratuba, Morretes, Antonina, Matinhos, Itajai, São Francisco do Sul, Florianópolis e por ai afora. Colocam apelidos com precisão e num improviso super rápido. O jeito de andar, de falar, a roupa que veste, qualquer detalhe serve para inspirar um novo apelido. São apelidos tão bem colocados que pegam forte e muitos deles ficam como herança para os descendentes.
Existem famílias inteiras com apelidos que passam de pai para filho e muitas gerações. Em campanhas eleitorais é comum encontrar propaganda de candidatos onde o nome de batismo é omitido dando lugar ao apelido. E se não for assim o eleitor não consegue identificar o candidato.

Em Paranaguá há muitas e boas histórias a respeito de como determinados apelidos foram colocados em  suas “vítimas”.
Na época em que a maioria das pessoas viajava de trem entre Paranaguá e Curitiba, a Estação Ferroviária  vivia repleta de passageiros e carregadores de malas que disputavam clientes. A chegada do trem era uma festa. Meninos vendendo balas, maria-mole, quebra-queixo, e doce de banana. Mulheres elegantes, algumas de chapéu, outras menos, com um lenço sustentando o penteado onde se destacava um grande topete, levando numa das mãos uma “frasqueira” e na outra um leque com estampa espanhola.

Contam que certa ocasião chegou um cidadão muito bem vestido, terno completo, incluindo o colete, um chapéu Ramenzoni, cheio de malas, revelando grande dificuldade para segurar objetos.

O homem sofria de uma doença que estava atrofiando suas mãos. Uma delas já mal conseguia abrir. O carregador pegou suas malas e saiu em direção ao Hotel Palácio que ficava na Praça Fernando Amaro, distante menos de duzentos metros da estação ferroviária. Chegando na portaria do hotel, largou a bagagem em frente ao funcionário da recepção e ficou esperando o cliente que vinha logo atrás. Foi quando o funcionário do hotel fez a pergunta que resultou num apelido famoso. -Ei, Jango, de quem é essa bagagem.
-É daquele “Mão de Gengibre” que vem ali de terno azul.

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