A utopia, a dor, o legado da esquerda & o banqueiro

A indicação de Joaquim Levy, executivo de banco de credibilidade internacional para Ministro da Fazenda do Brasil, governo que a militância diz ser de esquerda, me leva refletir com os meus botões e o cadarço. Gravem isso: mercado e bancos confiam nele. A missão de Levy é tranquilizar o mercado (para a esquerda mercado é invenção capitalista), acalmar banqueiro (a esquerda diz que banco é criação capitalista) e por a economia nos eixos porque o Mantega, cara de esquerda, fez cacaca.

Sempre que tais contradições gemem indago: o que leva alguns quererem tirar leite de pedra? A resposta é a mesma: se Thomas Morus não inventasse a palavra utopia a tal de esquerda seria realista, não produziria tanta dor em vão. Quando fixo algum lugar do passado – por exemplo, Valinhos-SP, onde em 67 a UNE ludibria a repressão e seu congresso elege Luiz Travassos, da AP, para presidente – recordo de papos sobre o que fazer no poder para acabar com injustiças sociais. Com “camaradas” de outras siglas (as siglas de esquerda representando partidos ou seitas sempre brotam aos borbotões) ali nós, a vanguarda revolucionária, começávamos a firmar convicção: só a esquerda acaba com bancos e o mercado, causas de todos os males do Planeta.

Na época achávamos que a maioria do mundo ia rápido ao socialista (apenas o imperialismo americano resistiria). Já vislumbrávamos a sociedade sem classes aqui no Brasil e, com a parúsia chegando, quebrávamos o pau contra o arbítrio. Nossos olhos, corações e mentes estavam no novo. Um Brasil que copiaria a experiência maravilhosa dos camaradas Stálin, Lênin, Mao, Fidel e toda a geração de genocidas que os seguiram e que admirávamos pela cegueira da utopia embrulhada numa conversa que, 50 anos depois, bate na mesma tecla furada. E bate na mesma lengalenga inclusive com doutos intelectuais tupiniquins que vicejam até em universidades pregando teorias mofadas, carcomidas pelos cupins e manchadas com o sangue de milhões de inocentes.

A utopia que moveu o mundo no século passado só produziu muita dor e sangue. A utopia que buscava superar as injustiças sociais só produziu mais injustiça. Qual o legado deixado pela utopia de esquerda a partir de 1917 na Rússia? Quem parou para pensar? Na economia, na política, na ciência, na tecnologia, o que deixou de útil para a humanidade esse movimento de esquerda que varreu quase todo mundo? Peguem só a economia: em que lugar os parâmetros econômicos de esquerda geraram abundância de alimentos, bens de consumo, liberdade, democracia, bem-estar?

Impelida por sentimentos terríveis que habitam os humanos (entre eles inveja, arrogância, complexo de bonzinho – o mal está na direita) a esquerda gerou benefícios só para sua casta de oportunistas, seus chefetes psicopatas, em regra dotados de excepcional capacidade de convencimento das massas – pela palavra ou pela violência. Violência contra pessoas que (estranho) não queriam viver no paraíso prometido e pedia coisinhas simples como liberdade e comida – como ainda ocorre na Coréia do Norte.

Lênin assassinou, Stalin assassinou a rodo (só um decreto seu levou ao paredão mais oposicionistas do que eliminou todo o regime czarista), Mao assassinou a rodo, Pol Pot matou gente como moscas – os quatro tornaram Adolfinho um genocida amador. O substrato teórico por trás dessa canalha move anacronicamente – com matiz de mais ou menos pressa – o que resta da esquerda no mundo. Quem analisa as lições da história em busca de uma utopia diferente para os jovens? Talvez por isso Cuba, que vive de mesada (inclusive dos reais que hoje nos fazem falta) e Nicolas Maduro que enterra a Venezuela sejam tão admirados pela esquerda azul, verde e amarela. Esquerda que paga o mico de buscar banqueiro para colocar ordem na economia. Esquerda que ainda confunde catequisar com educar e não sacou a diferença entre religião e partido politico.

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Por Ivaldino Tasca

Jornalista e radialista. Natural de Barra Funda/Sarandi-RS. Reside em Passo Fundo, onde já foi secretário de Meio Ambiente e de Cultura. Atuou na Cia. Jornalística Caldas Junior por dez anos, foi chefe de redação e diretor de O Nacional, mantém coluna no jornal Diário da Manhã e programa sobre ecologia na Rádio Uirapuru de Passo Fundo.
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