A veia poético-literária da ‘Banda Malta’

A Banda Malta certamente possui uma veia poético-literária muito forte, sendo que o vocalista Bruno Boncini utiliza de toda sua energia verbal para contar histórias sobre relacionamentos amorosos e através delas propiciar aos ouvintes inúmeros efeitos sensoriais. As narrativas musicais da banda emanam uma atmosfera intimista, desse modo, os ouvintes mergulham de forma profunda no âmago do eu-lírico, sendo que é possível compartilhar de todos os sentimentos perceptíveis que cada uma das canções aborda.

malta

Ao longo do programa Superstar, a banda foi expandindo seu universo de fãs, consequência do talento e também da coragem por terem apostado em suas próprias composições, sendo que esse fato foi até mesmo ressaltado pelo Dinho Ouro Preto. Através de suas apresentações, a Malta conseguiu habilmente desvelar sua identidade, propiciando ao público diversos hits, como por exemplo, ‘Baby’,’Lendas’, ‘Supernova’, ‘Memórias’, ‘ Nova história’, ‘Diz pra mim’ etc.

Na canção ‘Memórias’, temos uma narrativa em 1ª pessoa, na qual o eu-lírico faz um balanço de seu relacionamento afetivo, mergulhando no passado e recapitulando para si e para seus ouvintes o sentimento que nutre pela mulher amada. A música atrai os ouvintes a partir de uma lírica original, criando imagens de rara beleza e intenso sentido de plasticidade, podemos observar todos esses elementos na seguinte estrofe: “E quando eu me perco em suas memórias/ Vejo o espelho contando histórias/ Sei que é difícil de esquecer essa dor/ E quando penso, no que vivemos/ Fecho os olhos, me perco no tempo/ Pra mim, não acabou”

É necessário destacar a importância que há na performance vocal em ‘Memórias’, sendo que o Bruno consegue adequar habilmente sua tonalidade de acordo com cada sentimento que ele deseja explorar. No início da canção ele utiliza uma performance vocal mais serena, desse modo, a melancolia se faz transparecer, apresentando o sentimento de saudade que rege o espírito do protagonista, além disso, pode-se identificar um caráter mais racional do eu-lírico, refletindo sobre a separação conjugal e consequentemente concluindo que o melhor a se fazer foi deixar a mulher amada seguir com sua vida sem sua companhia. Mas é então que a narrativa sofre uma reviravolta, tudo graças ao refrão e a mudança de tonalidade vocal, sendo que Bruno eleva o som de sua voz, consequentemente o caráter racional é substituído pelo sentimento de paixão que passa dominar o espírito do protagonista. A dor pela falta da mulher amada é compartilhada com o ouvinte de forma intensa, sendo que o Bruno utiliza sua performance vocal como elemento intensificador da dramaticidade.

‘Memórias’ é, acima de tudo, uma narrativa musical que explora genialmente o conflito entre o dever e a paixão, o dever em deixar a mulher amada partir para outra relação: “E mesmo sem querer/ Eu te deixo partir/ Pra que possa tentar ser feliz outra vez/ Recomeçar…” Já o elemento da paixão é observado a partir do momento em que o eu-lírico não consegue controlar sua dor, declarando em brado tom que para ele não acabou, além disso, vale destacar que a paixão faz o protagonista ter devaneios, identificamos essa característica quando ele confessa que vê o espelho contando histórias, nesse momento específico, o tom surreal representa o quanto a saudade e a dor corroem a alma do eu-lírico.

Diante de tudo que foi exposto, entendemos que a Banda Malta é competente tanto na arte da performance, como também no poder de suas composições, elevando ainda mais o nível do cenário musical brasileiro. O talento dos músicos faz com que os ouvintes tenham um único pensamento em mente: Vida longa à Banda Malta!

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