A vinheta

1. “Mas que beleza,
Dona Tereza,
Que alegria,
Dona Maria,
São os biscoitinhos mineiros,
Cada pacote,
Por um cruzeiro.”

Por Eloy Simões

Impressionante, a força da música. Eu tinha meus dez, doze anos, ia à Vila Matilde, em S. Paulo, com minha mãe, visitar tia Bezinha, quando o vendedor de biscoitos passava cantando. Não fui tantas vezes na casa dela. Esqueci-me, até, do sabor dos biscoitos. Mas nunca mais me esqueci da música. Nem da letra.
2. Lembro-me desse episódio sempre que repasso os originais do meu livro (pela última vez, agora que a Déborah está me ajudando)   Bordões, Slogans e Conceitos na Propaganda Brasileira. Nele, procuro, na primeira parte, mostrar as diferenças entre uns, outros e outros. E a importância que cada um teve na história da nossa profissão.
Na segunda parte, transcrevo os mais de seis mil verbetes que fui recolhendo por aí. Justiça seja feita, tudo começou em sala de aula, com a ajuda dos alunos da  sexta fase do primeiro semestre de 2003 do Curso de Comunicação Social da Unisul.
Quando repasso as páginas desse trabalho, salta a importância da assinatura musical de fonogramas, que muitos anunciantes – naturalmente orientados por suas agências – inteligentemente transformaram em vinheta, aquela assinatura de cinco segundos. Foram as mais lembradas pelas pessoas pesquisadas. Que, aliás, cantavam-nas com alegria. Associando-as, inclusive, com passagem de sua vida pessoal.
          
Eu próprio vivi uma experiência que mostra a força dessa peça publicitária. Licença para contar.
3. A gente atendia a conta da Maguary e decidiu assinar a campanha com uma vinheta que havia ficado famosa muitos anos antes e que foi abandonada não sei porque. Dizia:
“Maguary, Maguary, é o suco.”
Pra você ter uma idéia de como era antiga já naquela época, plena década de 80: o autor havia falecido de velhice, anos antes.
Bem, negociamos com os herdeiros e botamos no ar. Foi impressionante: muita gente, parte dela ainda criança quando a vinheta foi ao ar pela primeira vez, outra talvez nem tivesse nascido, ainda se lembrava. Um baita sucesso.
4. Recordo-me, ainda, de outro caso antológico. Acho que na década de setenta, a indústria de chocolate veiculou uma campanha divulgando as maravilhas desse produto. Então, toda vez que a mensagem dos chocolateiros acabava, colocávamos no ar uma vinheta, dizendo:
“Nestlé, faz o melhor chocolate!”
Foi uma grande sacada.
5. Hoje, revendo o texto do meu livro, lembrando-me das passagens que acabo de contar e ouvindo peças publicitárias radiofonizadas, não me canso de fazer a pergunta: por que esse pessoal não cria ou manda criar uma assinatura musical? Uma vinheta, que com a mesma verba que utilizam agora poderiam inundar o rádio com sua mensagem.
Pense nisso, quem sabe você aproveita a dica.


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Por Elóy Simões

Começou no rádio, é jornalista, publicitário e professor universitário. Trabalhou em agências de propaganda de São Paulo, Rio de Janeiro, Carcas Santiago do Chile, Vitória e Florianópolis. Segue escrevendo em vários sites. É professor da UNISUL o Universidade do Sul de Santa Catarina na grande Florianópolis.
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