A voz da jovem guarda

Em primeiro lugar, muito obrigado ao PC, fonte da inspiração que trouxe esse título. Me refiro ao trabalho do Paulo Clóvis Schmitz, A voz da velha guarda publicada no caderno Plural do Notícias do Dia, edição de segunda-feira, 5 de junho de 2017.

Para quem não leu, a matéria se refere ao lançamento da série e-books sobre profissionais da comunicação de Santa Catarina, uma iniciativa do Instituto Caros Ouvintes. A publicação – Astros e Estrelas da Mídia Catarinense, Vol. 1 – já está bombando do Leste da China às barras do Chuí/RS, para leitura ou para baixar, via rede mundial de computadores.

E a voz da jovem guarda? Onde, aonde está? É meramente uma expressão volátil, que se esvai com o primeiro sopro da brisa cotidiana das tardes fagueiras sob o manto sagrado da figueira centenária da Praça XV, na ainda doce e fraterna Florianópolis?

Ou será apenas produto da fantasia, da utopia, do sonho, quimera ou devaneios?

Se você, leitor, tem menos de 30 anos e não sabe a resposta, não se amofine. E se você não conhecia o verbo amofinar, também não é motivo para aborrecimento. Pois a sociologia da arte, da educação e do direito também não sabem. Ou estariam escondendo o jogo? Quem sabe? Tudo são dúvidas. Resumindo, como disse De Masi: “A falta de um modelo teórico de referência cria um vazio intelectual que alcança todos os governos do planeta”.

Aliás, convém lembrar, que perguntado, sobre o estado de desorientação em que vive a maior parte das populações no planeta terra, Domenico De Masi, pai do “Ócio Criativo”, respondeu: “Como procurei demonstrar em meu livro anterior (O Futuro Chegou), pouquíssimas vezes, na história humana o trabalho, a riqueza, o poder, o saber, as oportunidades e a proteção social mudaram simultaneamente. Quando isso acontece ficamos frente a uma verdadeira descontinuidade de época, uma revolução social. Desde a 2a. Guerra Mundial o salto mais recente nesse sentido coincidiu com a rápida transição para uma sociedade pós-industrial, dominada pela produção de bens não materiais: serviços, informações, símbolos, valores e estética (Um guia para entender o mundo. Ubiratan Brasil. Aliás, Sociologia. O Estado de S. Paulo. E1 Domingo, 9 de abril de 2017).

Isso, porém, não nos isenta de encarar de frente a situação ao invés de ficar fazendo piadinha sobre as indignidades cometidas pelos “figurões da alta sociedade” e que são reproduzidas e alimentadas pela pior parte da chamada grande imprensa nacional, pelas “exclusivas” das televisões e pelos comentaristas das “grandes emissoras” de rádio.

O mundo está perdido? Não! Claro que não! Somos uma parte ínfima do Universo, mas pertencemos ao Universo assim como ele nos pertence. E o Universo é caótico porque o “Caos em diversas tradições mitológicas, (é o) vazio primordial de caráter informe, ilimitado e indefinido, que precedeu e propiciou o nascimento de todos os seres e realidades do universo. (Aa Dicionário de Português).

Volto à entrevista de Domenico De Masi para arrematar este esboço de pensata: “Nossa atual desorientação envolve as esferas econômica, familiar, política, sexual, cultural. Mas, se não planejarmos nosso futuro, outros o farão por nós, não em função dos nossos interesses, mas dos próprios. E isso nos desorienta mais”.

Fora disso, é “Coisa para Inglês ver”, “É conversa para boi dormir”, “É história da Carochinha”. “É deixa prá lá prá ver como é que fica”.

PS – Supremo entendeu que acusação de abuso de poder político e econômico nas eleições não ficou comprovada. (Frase de suporte da manchete de capa do Estadão de sábado, 10/5). É que faltaram as esferas familiar, sexual e cultural, como requer a tramitação de uma acusação entre operários, professores e todas as demais categorias que sustentam o país com a força do seu trabalho.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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