A voz de um mago na arte de comunicar

A adoção de jornalismo na programação e a instalação da primeira rádio em freqüência modulada (FM) de Joinville tiveram a mão de um blumenauense que adotou a cidade na década de 50.
A Notícia. Joinville 154 anos. Caderno Especial. 9/3/2005O radialista Ramiro Gregório da Silva é o que se pode chamar de mago da técnica radiofônica, atributo que aliou à experiência de noticiarista em programas de rádio e em documentários em São Paulo. Ao longo dos anos, foi requisitado para montar diferentes rádios, além de atuar na criação de programas diferenciados para a época, que mesclavam qualidade técnica de transmissão com a introdução de notícias na programação.

“Sempre busquei um rádio com qualidade na sonoridade e diferenciação na programação”, admite o radialista, hoje com 70 anos e coordenador de comunicação da Fundação Cultural de Joinville.

A missão não era fácil. O jovem Ramiro Gregório da Silva, então com 23 anos de idade, havia sido requisitado para instalar a Rádio Cultura em Joinville. O empresário e radialista J. Gonçalves impressionou-se com o vozeirão daquele comunicador sentado ao microfone da Rádio Araguaia, de Brusque. Terminado o programa, fez o convite, imediatamente aceito por Ramiro. Gonçalves e sua família haviam recebido concessão de rádio para Joinville e precisavam de alguém para dar “um toque diferenciado” ao empreendimento. “Em 1º de julho de 1959, colocamos a Rádio Cultura no ar”, relembra o radialista.

Ramiro sempre foi bom na parte técnica. Era chamado para “dar um jeito” em equipamentos e viabilizar uma melhor transmissão. Foi sempre assim após deixar a Rádio Jaraguá, onde era contratado como locutor profissional, depois de atuar como calouro na Rádio Clube Paranaense, em Curitiba. Havia sido contratado pelas Emissoras Coligadas de Santa Catarina em 1953, onde passou a ter contato direto com a parte técnica.

Montava, consertava e instalava equipamentos. Passou em rádios do grupo em Gaspar e Brusque antes de receber a proposta para trabalhar em Joinville.

O ano de 1961 foi de uma mudança radical para o radialista. Saiu da rádio Cultura para trabalhar na Fundição Tupy, na área de vendas, de onde foi transferido para São Paulo. “Exerci várias funções, mas nenhuma de vendedor”, recorda. Na capital paulista, mesmo funcionário da Tupy, utilizava os horários de folga para fazer locução na Rádio Nacional e narrar e produzir documentários para a empresa Indiana Documentários. Na época, já era casado com Lola e pai de Marlise e Lucienne, suas duas únicas filhas. “Trabalhava à noite, aos sábados e domingos”, conta.

Mas seu destino era Joinville. Em 1964, o Grupo Tupy adquiriu a Rádio Cultura e transferiu Ramiro. Ele trouxe na bagagem inovações. Investiu em qualidade técnica e programação. A rádio tornou-se referência no Estado. Na década de 70, Ramiro coordenou a instalação da Cultura FM, primeira rádio em freqüência modulada da cidade.

“Implantei profissionalismo no rádio. Havia uma equipe de 13 jornalistas que permitiam cobrir todas as modalidades esportivas”, conta. Depois de sair da rádio, com a morte de Dieter Schmidt (diretor da Tupy), passou por rádios da Capital até, na década de 90, entrar no meio político. Mas nunca abandonou sua paixão.

Foi diretor-técnico executivo da Rádio Udesc Educativa FM e agora luta pela implantação da rádio FM da Fundação Cultural.

Ramiro considera-se filho de Joinville, lembrando que o destino sempre o trouxe de volta para a cidade. “Há encantos peculiares na cidade, como os jardins residenciais, o gosto pelas flores e a preservação de manifestações culturais seculares”, enumera. “Sempre fui uma pessoa polêmica, mas ética. E Joinville me acolheu de braços abertos”, conclui.

Áudio:
>> Entrevista

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