A Zininho, o que é de Cláudio Alvim Barbosa

Todos nós catarinenses, os familiares, amigos e admiradores de Zininho devemos compartilhar maciçamente das homenagens in memoriam que serão prestadas ao maior compositor popular que Santa Catarina já teve.

Zininho com dona Ivette e primeira filha

Zininho com dona Ivette e primeira filha

Um tributo mais do que merecido. Sua música não morre nunca e continua viva em nossos corações. Se estivesse vivo, o amado Ziza completaria 80 anos no dia oito de maio próximo. Sem nada mudar no seu comportamento de fiel companheiro, amigo certo nas horas incertas, maneiro, dono de grande sensibilidade e ar de sonhador. A bondade, com certeza, também estaria presente com ele, porque sempre foi uma constante em sua vida, ao lado de visível transparência.

Só mesmo seus grandes amigos (eu tive o privilégio de ser um deles) sabem o quanto ele correspondia e era fiel a uma amizade e do grande amor que ele nutria por seus familiares. Zininho, portador de bom caráter, encantava à primeira vista e com grande amabilidade conquistava todos a longo prazo.

Seguem depoimentos de alguns de seus amigos:

“Deus guarde o Zininho pelas belezas que espargiu outrora e que ainda balsamizam a alma de muita gente, no momento em que são repetidas com carinho, arte e bom gosto.” Abelardo de Souza, poeta e compositor.

“Conheci Zininho quando trabalhei na Rádio Diário da Manhã, no ano em que compôs a canção para Florianópolis, que se tornaria o hino da cidade. Vi e ouvi o mestre construindo, aos poucos, a obra-prima que a voz de Neide Mariarrosa faria vencedora no concurso. A música surgiu quase de um jato, com poucas reações. Já a letra foi composta sob pressão, o tempo passando e o minuto fatal para a inscrição chegando. Zininho ainda perdia horas preciosas gravando, nos estúdios da Rádio Diário da Manhã, os arranjos de dezenas de outras músicas que iam sendo inscritas. Assim, uma parte do Rancho do Amor à Ilha nasceu na solidão, ao embalo de uma rede em sua casa, no estúdio, nas madrugadas inspiradoras, e outras no burburinho do Bar do Felinto, na Praça XV. Lembro-me dos últimos retoques na letra, em uma das mesas do bar. Ali estavam Adolfo Zigelli, Neide Mariarrosa e o poeta, todos bebendo Campari, a bebida da moda. Zininho, galhofeiro, advertindo: Bebam antes que coagule.” Salomão Ribas Júnior, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina.

“Certa vez eu disse numa crônica que o Zininho, muito mais do que grande amigo, era para mim o verdadeiro Cidadão Ternura. Isso faz uns trinta anos e eu continuo acreditando que é rigorosamente verdadeiro. Porque ainda a pouco, há 10 anos, quando ‘ele foi pro andar de cima’, como diz a Cláudia, sua filha, eu escrevi essas palavras saídas do meu coração ao ler uma homenagem que foi feita pra ele por um grupo de amigos, cantores e músicos. Então eu percebi que aquelas palavras não eram só de agradecimento. Elas eram, são e serão a imagem viva, vibrante e perene do Ziza amado, do Poeta Zininho, do Gentleman do Samba, Cláudio Alvim Barbosa – o Cidadão Ternura.” Antunes Severo.

“Fiz uma retrospectiva da minha vida, desde minha infância. Chorei de saudade e de agradecimento a Deus por ter convivido com pessoa tão bela e tão iluminada. Mas, quer saber? Eu ri. E ri muito! Ele era muito, muito engraçado. Muito espirituoso. Vinha com cada uma! Esse “Nho Ziza” (como o chamava a minha mãe preta, a Zenita) era mesmo dose! E dose sem gelo! Onde ele estava não existia tristeza”. Cláudia Zininha Barbosa é a filha mais moça do poeta da Ilha (os outros filhos dele com sua companheira Ivete são: Sandra, Rose e Vininho).

“Muitos anos vão se passar, por certo outros compositores surgirão, mas dificilmente algum novo poeta terá tanto pra cantar a beleza sem par deste pedacinho de terra perdido no mar chamado Florianópolis.” Jair Brito

Rancho de Amor à Ilha

Um pedacinho de terra, // perdido no mar!…
Num pedacinho de terra, // beleza sem par…
Jamais a natureza // reuniu tanta beleza
Jamais algum poeta // teve tanto pra cantar!

Num pedacinho de terra // beleza sem par!
Ilha da moça faceira, // da velha rendeira tradicional
Ilha da velha figueira // onde em tarde fagueira
vou ler meu jornal

Tua lagoa formosa // ternura de rosa
poema ao luar, // cristal onde a lua vaidosa
sestrosa, dengosa // vem se espelhar…

Rancho de Amor à Ilha, postada aqui na voz de Neide Maria. Autor: Cláudio Alvim Barbosa, Zininho.  Arranjo de base: Luis Alberto Robinson. Arranjo de flauta: Sílvia Beraldo. Violão: Luis Alberto Robinson. Bandolim: Wagner do Amaral Segura. Flauta em Dó e Flauta em Sol: Sílvia Beraldo. Direção de estúdio, gravação e mixagem: Carlos Charlone. Direção artística e produção executiva: Norberto Depizzolatti. Estúdio RPK, Florianópolis, 1988.

A segunda parte desta matéria estará na edição da próxima semana.

1 responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] A Zininho, o que é de Cláudio Alvim Barbosa, por Jair Brito (com áudio) […]

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *