Acy Cabral Teive, símbolo de um rádio inesquecível

Uns perseguem um futuro ideal, outros batalham e chegam a lugares inimaginados, poucos alcançam a realização dos seus sonhos.

Casal Acy e Amélia e empresária Silvia Hoepcke da Silva

Acy Cabral Teive, um dos precursores do radialista profissional em Florianópolis, buscou, lutou e conseguiu o lugar almejado desde seus tempos de colégio, quando o tipo de empresa que ele buscava ainda não existia na Capital Catarinense. Acy nasceu 16 anos antes de ser criada a emissora que ele almejava e a qual dedicou 52 anos de sua vida com fidelidade, dedicação e amor incondicional.

Ele estaria hoje, 30/08/2014, completando 88 anos de idade. Por isso, esta lembrança, este reconhecimento em sinal da homenagem que lhe tributamos como personagem de primeira grandeza da história do rádio em terras catarinenses, destacando, à propósito, o artigo de Ricardo Medeiros aqui publicado, em 2010, Acy Cabral Teive “entra em campo” aos 16 anos. Boa leitura.

Um dos precursores do esporte na Rádio Guarujá de Florianópolis é Acy Cabral Teive, nascido em 30 de agosto de 1926, nesta mesma cidade, fruto da união de Raimundo Luis Cabral Teive, primeiro tenente do exército, e da dona de casa Jocelina Lentz Teive. Na verdade, sua história e a da Guarujá se confundem. Nessa emissora, ele trabalho como auxiliar de escritório, locutor e narrador esportivo, animador de auditório, noticiarista, repórter, diretor-financeiro, diretor artístico e diretor geral. Acy se aposentou em 1998, após 52 anos de atuação na ZYJ-7.

No esporte, Acy Cabral Teive “entra em campo”, pela primeira vez, no sistema de alto-falantes da cidade, quando aos 16 anos troca o seu emprego de office-boy da loja A Modelar, na Trajano, número 7, por um trabalho na empresa de propaganda Guarujá. Segundo esse baixinho de um metro e 56 centímetros, mudar de emprego naquele período não foi problema: “Fui para a empresa Guarujá ganhar o dobro. Ganhava na A Modelar 300 cruzeiros e a Guarujá me ofereceu 600 cruzeiros”.

Em companhia de Luiz Osnildo Martinelli, os dois comandam, no início da noite, o Momento Esportivo Brahma: “A esquina da Praça XV de Novembro com a Rua Felipe Schmidt ficava cheia de gente quando os relógios marcavam 19 horas. Eram ouvintes que para lá se deslocavam a fim de ficar a par das últimas novidades esportivas que os alto-falantes da Guarujá transmitiam naquele famoso programa”, lembra Acy.

Na Rádio Guarujá Acy Cabral Teive entra oficialmente em 16 de abril de 1946, como auxiliar de escritório, mas em 1948 retorna ao esporte. Naquele ano, o titular do programa Momento Esportivo Brahma é Flávio Ferrari, professor da Academia do Comércio. No entanto, um dia o diretor da emissora, Ivo Serrão Vieira, chama Acy Cabral Teive às pressas para substituir Flávio Ferrari que está doente. Teive aceita o desafio de última hora e entre leituras de recortes de jornais e improvisos consegue uma bom desempenho, tanto é que volta novamente a comandar a emissão esportiva anos antes apresentada por ele no sistema de alto-falantes.

Como companheiro inseparável no esporte, Acy Cabral Teive tem agora ao seu lado Dib Cherem, tanto na apresentação de programas, como na narração esportiva. A dupla se faz presente no Campo da Liga, conhecido igualmente como Pasto do Bode, localizado onde hoje está o Beiramar Shopping, aliás, o único estádio da época, que em 1972 é cedido para o Avaí Futebol Clube. De lá, os dois têm como opção irradiar futebol do alto de um poleiro de madeira, como aponta o jornalista Sérgio da Costa Ramos: “se alguém ouvisse, durante a transmissão, o cacarejar de uma galinha, não se tratava de um efeito sonoro, absolutamente. Era uma galinha mesmo, alojada debaixo do assoalho da ‘tribuna de imprensa’ sob o patrocínio do zelador da praça de esportes, Waldemar Nazário”.

Aliás, a primeira narração de Acy Cabral e Dib Cherem se dá de uma forma catastrófica, justamente num clássico entre Avaí e Figueirense, em 1948. Devido à precariedade dos serviços da Companhia Telefônica Catarinense, encarregada de providenciar as linhas de transmissão, o volume de som da jornada esportiva é quase inaudível. Muitos torcedores, que não comparecem ao estádio, são obrigados a quase praticamente “colar o ouvido” no sistema de alto-falantes da Praça XV de Novembro para tentar escutar, pelo menos o resultado da partida que termina em zero a zero.

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