Adolfo Zigelli, que falta que você faz

Vanguarda: o que se faz; o que se diz; o que se pensa. Gente, notícia, opinião. Esse era o sinal de alerta para o ouvinte da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, no horário do meio dia de segunda a sexta-feira.

Zigelli, Rádio Diário da Manhã, 1956

Zigelli, Rádio Diário da Manhã, 1956

Sob essa bandeira Adolfo Zigelli plantou as bases do radiojornalismo profissional em Santa Catarina na década de 1950 quando o rádio vivia um dos seus momentos da mais intensa vibração.  O zelo e capricho acompanham o joaçabense Zigelli desde seus tempos de colégio. “Lembro perfeitamente que o Adolfo já era uma inteligência fulgurante. Era se não o primeiro um dos primeiros da sala de aula e já denotava, pelo seu espírito irrequieto, pela sua persistência, o homem de rádio, o político, o comentarista, o cronista que viria a ser anos após”. O depoimento de Nelson Pedrini, conterrâneo, contemporâneo de estudo e ferrenho adversário político é bem um retrato do cidadão e do profissional com quem convivi como irmão e como um dos mais exigentes e corretos radialistas durante quase 20 anos. Tempo em que fomos colega de emissora e de atividade radiojornalísticas e mais tarde na Secretária de Imprensa do governo do Estado de Santa Catarina.

Com o falecimento do pai em 1953, Adolfo e o irmão Walter Zigelli abandonam os estudos em Porto Alegre e voltam para Joaçaba/SC. Para se manter começam a trabalhar na Rádio Catarinense e no jornal Cruzeiro do Sul. Em pouco tempo ambos assumem a gerência dos dois veículos de comunicação da cidade. Walter no jornal e Adolfo na rádio. “E aí começa o grande momento da vida profissional e política de Adolfo Zigelli fazendo radiojornalismo, comandando programas de auditório, escrevendo e apresentando comentários políticos na ZYC-7 Rádio Catarinense de Joaçaba”, lembra Nelson Pedrini.

Os irmãos Zigelli que haviam se engajado na campanha de Jorge Lacerda ao governo do Estado são convidados em 1956 a integrar a assessoria do governador em Florianópolis como encarregados da comunicação do Governo. O primeiro desafio era transformar a leitura do Diário Oficial na Rádio Diário da Manhã num programa jornalístico de interessa geral da população e não só dos partidários do Governo – o que foi feito com muita competência e credibilidade até 1975 quando Zigelli viria morrer em acidente aviatório na região de Joaçaba, num trágico 30 de agosto de 1975.

Adolfo Zigelli nasceu em Joaçaba, em 12 de março de 1936. Aos 14 anos ingressou no rádio como locutor noticiarista da Rádio Sociedade Catarinense. Em 1956 vem para a Rádio Diário da Manhã de Florianópolis e implanta as bases do radiojornalismo profissional em Santa Catarina. Graduou-se em Direito em 1970, quando foi orador da turma. Teve atuação destacada também na imprensa e na televisão. Foi o primeiro Secretário de Imprensa no Brasil, ao assumir a comunicação do governo do estado de Santa Catarina, em 1975. Morreu em 30/08/1975 em acidente aéreo em Joaçaba.

Aldírio Simões lembra em artigo que escreveu em 2002, no jornal A Notícia, um dos grandes momentos da carreira profissional de Adolfo Zigelli, quando diz:  “Do precioso arquivo de Zininho, retirei este depoimento, na íntegra, do jornalista Adolfo Zigelli, correto, competente e combativo profissional que deixou registrada a sua forte personalidade, ao despedir-se do programa “Vanguarda”, na rádio Diário da Manhã, encerrando um ciclo de 20 anos de jornalismo atuante, para assumir a Secretaria de Imprensa do governo Antônio Carlos Konder Reis.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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2 respostas
  1. Adriel Batista Correia de Melo says:

    Maceió,22 de março de 2014

    Caros amigos(as)

    Eu tenho 63 anos de idade mas me recordo muito bem da
    Rádio Diário da Manhã,transmitindo em 31 metros.Se não me engano os seus transmissores ficava em São José e depois
    se tornou a emissora evangélica Rádio Marumby,de Florianó-
    polis.Em certos aspectos Florianópolis era até mais desen-
    volvida,pois possuia uma empresa de navegação de cabotagem
    cujo navio se chamava “COCAL”.Este cargueiro esteve em Ma-
    ceió.Deveria haver uma ligação marítima de passageiros entre
    Florianópolis e Palhoça.
    Cordialmente

    Adriel Batista Correia de Melo

  2. Antunes Severo says:

    Caro Adriel, gratos pelo contato e pelas lembranças que você guarda do Rádio e da História de Santa Catarina.
    Os transmissores da Rádio Diário da Manhã – tanto ondas médias como ondas curtas – estavam instalados na Ilha de Santa Catarina no sopé do Morro do Antão, depois chamado Morro da Cruz e atualmente conhecido como Morro da TV. Quando a estação de ondas curtas foi vendida para uma organização religiosa ainda permaneceu no mesmo local, posteriormente foi transferida para o Balneário Camboriu. Naquela época – anos 1950/1960 – Florianópolis realmente se destacava pela qualidade do rádio que fazia, pela navegação que mantinha e também por haver criado uma empresa aérea: a Transportes Aéreos Catarinense – TAC. No que se refere ao transporte marítimo entre Florianópolis e Palhoça foram tentativas infrutíferas que até hoje ainda não se consolidaram.

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