Afagos e estragos

Diga – não – ao racismo, ao preconceito, ao bullying. Se vir acontecer, denuncie!

Quem tem mais de 40 anos de idade sabe que na infância e adolescência os temas mencionados acima eram pouco falados, se é que eram; lamentavelmente.

Pessoas sofriam com o racismo, o preconceito e a zombaria por conta de diferenças em seu corpo, hoje denominado mais abertamente como, bullying.

Ainda assim vale uma certa reflexão sobre os benefícios e exageros em alguns desses temas; lembrando claramente que em sua maioria, essas leis vieram em benefício aos que eram “torturados” com a frieza e ignorância de muitos.

Recorrendo às nossas memórias lembramos facilmente de alguns detalhes que nos trouxeram muitos afagos, mas talvez, alguns estragos.

O Programa – Os Trapalhões, por exemplo, fazia milhares de pessoas rirem.  Quando o Mussum era chamado de – negão – ele rapidamente respondia: “Negão é o teu passadis…” Ou o Dedé ser chamado pelo Didi de: “rapaz alegre”. Nesse e em outros programas de TV, o gordo, o magro, o  dentuço, o baixinho eram ironizados. Ah, que bom que isso acabou. Até que ponto acabou? Ou só está sendo tratado com mais discrição? Será que as pessoas que assistem os programas de TV nacionais, que ficam no auditório; daqueles programas que discutem o bullying, escolhem onde vão sentar? Fiquei surpreso ao saber a resposta.

Lembro que na minha infância as partes do meu corpo que mais se destacavam eram as orelhas e os dentes. Não faltavam apelidos. Lá no 8° ano recebi o apelido de ET. Todos riam muito, inclusive eu.

Não consigo imaginar, lá nos anos 80, chegar em casa, chamar meus pais e dizer que havia sofrido bullying. Meus pais não eram ignorantes, mas com certeza ignoravam a palavra – bullying, e como a maioria dos pais iriam perguntar:” Sofreu bu o quê?”

Mas nem sempre os racistas e preconceituosos são flagrados. Quantas vezes já ouvimos frases como esta: “tinha que ser serviço de preto”? Quem diz ou pensa isso é racista e deveria ser preso e pagar multa; embora continuará sendo um racista; alguém que não está adequadamente preparado para viver em sociedade, e talvez nunca esteja. Opa, será que dizer aqui: “talvez nunca esteja”, não é um preconceito. Não acreditar que um racista ou um preconceituoso pode mudar?

Há os preconceitos cometidos pela ignorância no sentido de desconhecimento. Por exemplo, a expressão: Fulano é surdo-mudo. Dificilmente alguém surdo é mudo, apenas, por não conseguir ouvir não desenvolveu a fala. Tanto que há surdos oralizados.

Então, hoje, se alguém for chamado de gordo, baleia, orelhudo, óculos fundo de garrafa ou a prova de balas, vesgo ou qualquer outro adjetivo que a diminua, que a faça sofrer psicologicamente, tem a lei a seu favor

Estragos

Será difícil encontrar alguém com mais de 40, 50 ou 60 anos, pessoas bem educadas, cidadãos exemplares, que tenham traumas por terem apanhado dos pais. Naturalmente, desses que apanharam; não se fala aqui de fortes agressões ou abusos, mas de tapas, chineladas, cintadas e até varadas costumam com sinceridade se orgulhar dos pais e formam uma maioria de cidadãos exemplares, diferenciados. Aprenderam a respeitar os pais, os avós, os professores, os policiais, os vizinhos, os patrões, os empregados; uma geração infelizmente em extinção

Uma nova geração cheia de “não me toque”, criados como reis e rainhas, mas que no futuro não terão nem coroa e nem reino, apenas frustrações, está sendo formada.  Privados da realidade por pais extremamente protetores talvez formem uma parte da população onde o primeiro a ser questionado é o pai, depois mãe, então os professores, em seguida os policiais e por fim as  leis; eis o estrago.

Quem é capaz de responder como uma criança é proibida de trabalhar ao lado dos pais; com segurança e sem deixar os estudos, em comparação com crianças que fazem novelas? Elas são expostas a cenas fortes, a um trabalho exaustivo, mas é na TV, nas grandes emissoras; aí pode.

Um certo exagero. Ai daquele que falar do seu amigo com a expressão: “Aquele negão é muito gente boa; cara honesto e trabalhador, ótimo colega de serviço”. Provavelmente as qualidades faladas ou incluídas na frase não serão lembradas; a não ser a expressão – negão. Isso é racismo?

Mexer com uma mulher na rua, assobiar, dizer qualquer tipo de bobagem ou mesmo tocar sem a sua permissão é algo horrível e deve ser punido. Mas talvez já haja até o receio de  dizer um respeitoso: “Bom dia, boa tarde ou boa noite”, porque alguém pode pensar que é assédio.

Aliás, há pessoas que com certeza têm seu senso moral e psíquico abalado. Isso veio à tona há poucos anos quando alguns disseram que – há mulheres que se vestem de um jeito que parecem pedir para ser estupradas. Ou seja, o lamentável comentário isenta o tarado, o abusador e culpa a mulher – ela levou o tarado a estuprá-la porque vestia uma roupa sensual ou mesmo vulgar. Uma ideia que ultrapassa o machismo e esbarra na ignorância. Não importa que tipo de roupa a mulher use, ela não é culpada por abusos. Se assim fosse as praias seriam o local onde mais haveria estupros.

Imagine dois políticos discutindo:

– Você é um filho da…”.  – O colega agredido verbalmente, indignado, diz:

– Eu exijo respeito!” – O colega agressor reformula a frase:

– Vossa excelência é um filho da…”.

O agredido fica satisfeito pela expressão respeitosa aplicada na segunda frase.

O importante é tomar cuidado. Não os racistas, preconceituosos e praticantes do bullying; esses continuarão sendo e temos a esperança que sejam devidamente punidos.

Uma frase para a reflexão: “Mesmo no riso o coração talvez sinta dor”. Provérbios 14:13. Bíblia. Sim. Quantos riem das piadas dirigidas a eles só para não perderem a amizade, mas no fundo sentem “dor”?

Ainda bem que há pessoas inteligentes o suficiente para saber diferenciar, racismo, preconceito, bullying, trabalho infantil e disciplina. Esta última – disciplina – uma das mais abandonadas pelos pais para a infelicidade da sociedade.

Pessoas sábias entendem o estrago de comportamentos exagerados de ambos os lados e se apegam e “semeiam o bom afago”.

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