Afinal, quem inventou o rádio?

A pergunta vem e vai. Aparece sempre em alguma aula ou em um bate-papo do qual participe um ou outro curioso mais ou menos informado, mais ou menos nacionalista. Há os antigos que dizem categóricos: foi Guglielmo Marconi. E, em várias cidades brasileiras, por onde imigrantes italianos fincaram novas raízes, está lá um busto do cientista e empreendedor nascido em Bologna. Foram colocados em praças públicas, em geral, lá pelos anos 1930. Já, na segunda metade do século, resposta mais frequente indica o gaúcho Roberto Landell de Moura. Ambas as versões, no entanto, remetem à tecnologia. E esta servia lá na virada do século 19 para o 20, à telefonia sem fios e à comunicação entre navios ou batalhões do exército em cenários de batalha. Quem inventou o rádio, o meio de comunicação, foi um russo, de origem judaica, radicado nos Estados Unidos. Seu nome: David Sarnoff.

Funcionário da Marconi Company, dos Estados Unidos, é ele que antevê, com precisão, as possibilidades da nova tecnologia para não apenas ligar dois pontos por meio de ondas eletromagnéticas. Se a ideia original era ultrapassar distância, interligando seres humanos nas duas pontas de uma conexão basicamente telefônica, Sarnoff pensou em colocar uma mesma mensagem para dezenas, centenas, milhares de pessoas, uma mensagem, de início, musical, cruzando o espaço e chegando a singelas “caixas de recepção”. A proposta, um documento histórico, foi colocada em um memorando enviado aos seus chefes em 1916:

“Concebi um plano de desenvolvimento que poderia converter o rádio em um meio de entretenimento doméstico como o piano ou o fonógrafo. A ideia consiste em levar a música aos lares por meio da transmissão sem fios.

Mesmo que isto já tenha sido tentado no passado mediante o uso de fios, seu fracasso deveu-se a que os cabos não se prestam para este fim. O rádio, ao contrário, faria isto facilmente. Poder-se-ia instalar, por exemplo, um transmissor radiotelefônico com um alcance compreendido entre 40 e 80 quilômetros em um lugar determinado em que seria produzida música instrumental ou vocal ou de ambos os tipos… Ao receptor poder-se-ia dar a forma de uma singela caixa de música radiotelefônica, adaptando-a a vários comprimentos de onda de modo que seria possível passar de uma a outra apenas fazendo girar uma chave ou apertando um botão.

A caixa de música radiotelefônica possuiria válvulas amplificadoras e um alto-falante, tudo acondicionado na mesma caixa. Colocada sobre uma mesa na sala, fazendo-se girar a chave escutar-se-ia a música transmitida… O mesmo princípio pode ser estendido a muitos outros campos, como por exemplo, escutar, em casa, conferências, que resultariam perfeitamente audíveis. Também poder-se-ia transmitir e receber simultaneamente acontecimentos de importância nacional.”

Como tantas outras grandes ideias, acabaria de início, sendo ignorada pelos responsáveis pela Marconi Company, ainda mais naquele momento de produção voltada ao conflito mais tarde conhecido como Primeira Guerra Mundial. Sarnoff, no entanto, dera a partida para o surgimento do meio de comunicação de massas que viria a se tornar, nos anos seguintes, o rádio.

2 respostas
  1. Raimundo S. Rocha says:

    QUEM INVENTOU O RÁDIO?
    Raimundo S. Rocha

    Foi o brasileiro ou o italiano?
    Não existe uma concordância mundial a respeito de quem inventou o rádio, da mesma forma que muitos países não aceitam Santos Dumont como o Pai da Aviação. Alguns, creditam o descobrimento das ondas de rádio ao cientista e inventor italiano Gugliemo Marconi. Muitos discordam, afirmam que o inventor do Rádio é o brasileiro Roberto Landell de Moura(Padre Landell), nascido no dia 21 de janeiro de 1861 na cidade de Porto Alegre-RS.

    Pela maioria o italiano Marconi é considerado o “pai” da Radiodifusão e inventor do primeiro transmissor de ondas eletromagnéticas, em 1895, no entanto,o crédito desta invenção deveria ser dado ao padre brasileiro Roberto Landell de Moura que, um ano antes de Marconi, realizava a primeiras transmissões radiofônicas da História.
    Muitos não sabem mas cabe a um ilustre brasileiro , o Padre Roberto Landell de Moura, a glória de haver sido o pioneiro da telecomunicação.

    Nascido em Porto Alegre a 21 de janeiro de 1861 e tendo estudado em São Leopoldo e na Universidade Gregoriana de Roma, em 1892 era o pároco da cidade de Campinas em São Paulo onde se dedicava ao ministério sacerdotal e aos estudos científicos.

    Entre os anos de 1893 e 1894 com aparelhos de sua invenção e fabricação afirmava poder falar, sem utilizar fios, com outra pessoa a quilômetros de distância e o provou com uma sensacional demonstração feita do alto da Avenida Paulista para o Alto de Santana, em São Paulo, numa distância de 8 quilômetros com a presença de diversas pessoas, entre elas, o Cônsul C.P. Lupton, da Inglaterra , que ficou maravilhado com o aparelho.

    Tal fato ocorreu mais de um ano antes da primeira e rudimentaríssima experiência de Guglielmo Marconi que só começou a transmitir em 1895 com sinais fracos a uma distância de cem metros.
    Em 11 de outubro de 1904 com grandes dificuldades financeiras e dissabores, consegue finalmente nos Estados Unidos a patente do transmissor de ondas e a 22 de novembro a do telefone sem fio e do telégrafo sem fio.

    Rejeitando propostas sedutoras nos Estados Unidos regressa ao Brasil para entregar os seus inventos ao nosso Governo.

    Propõe então ao atual Presidente Rodrigues Alves, solicitando dois navios da Esquadra, para uma demonstração pública de seus inventos.

    Manda-lhe o Presidente perguntar a que distância queria que os navios se colocassem na baía Guanabara. Ele respondeu que queria os navios fora da barra na maior distância possível e afirma então decidido: – “Meus aparelhos podem estabelecer comunicação com qualquer ponto da Terra e futuramente servirão até mesmo para comunicações interplanetárias.

    Diante dessas palavras o consideraram maluco e no dia seguinte recebeu um telegrama gentil da Presidência informando não ser possível naquele momento atender seu pedido e que aguardasse outra oportunidade.

    Tivesse o Presidente Rodrigues Alves atendido ao pedido de Landell de Moura teria ido um grande sucesso e glória para o Brasil.

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